sábado, 9 de maio de 2020

ALEXANDRE GOMES TAVARES - INSTRUTOR DE VOO LIVRE RJ


VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Nasci em Niterói no Rio de Janeiro. Filho de professora, minha mãe era bióloga. Era uma criança do subúrbio, da periferia. Sempre fui uma criança muito ativa. Eu adorava carinho de rolimã, descia uma ladeira íngrime voando, brincava também de cafifa, peão, beloque, polícia e ladrão. Eu não tinha em mente uma profissão que gostaria de seguir. Pelo contrário conforme o filme que assistia queria seguir naquele momento a profissão daquele ator. No filme do Motoqueiro Fantasma, eu queria ser o motoqueiro. Então eu era muito influenciado pelos desenhos e filmes. Eu sempre fui uma criança muito radical.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Na escola era um aluno muito imperativo. Então a escola não era um lugar muito atraente. Era bagunceiro de falar, de ir no banheiro, as aulas de educação física eu extravasava um pouco mais Quando estudava na escola eu brincava com os amigos que fazia bicicross. No futebol eu era muito ruim, assim eu era meio rejeitado. Era um cara radical, diferente. A escola não tinha coisas atrativas, nem mesmo na educação física. Ela só oferecia as coisas tradicionais, futebol, voleibol, poli chinelo. Então, eu não lembro, coisas muito marcantes no colégio.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

A parte mais marcante que lembro é que roubaram uma prova da escola que na época era confeccionada em mimeógrafo em uma sala exclusiva para só elaborar as provas. Tentaram me acusar como autor inutilmente sem ter como provar.  E o que talvez deixava indignado a direção da escola é que eles sabiam que todos nós sabíamos que foi o autor da presepada, mas ninguém dedurou os dois autores e a Direção nada podia fazer relativo aos autores e ao contexto como um todo. Na época era tão imperativo na escola que tudo que acontecia na escola diziam que era eu. Então tudo caia na minha conta na minha adolescência. Outra vez minha mãe foi chamada na escola porque me acusaram que eu levei bebidas numa excursão da escola.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Então, minha mãe ouviu calmamente todas as reclamações da direção da escola sobre o fato das bebidas e as consequências que eu desta vez levaria. Então minha mãe apenas comunicou a direção que estavam enganados porque eu não havia ido na excursão em razão que não tive o menor interesse pelo passeio, e ele havia ficado em casa neste dia. Enfim, tudo que acontecia de ruim na escola sempre caia na minha conta. Mas eu nunca fui um aluno irresponsável e de destruir as coisas, sempre respeitei os professores, até porque minha mãe era professora de biologia em outra escola e tive uma excelente educação. Era muito imperativo, de conversar muito, não ficar parado, não querer ficar sentado, não conseguia ficar na sala de aula, não era atrativo ficar na sala de aula, esses tipos de coisa, entendeu ? Nunca fui um aluno rebelde de desrespeitar professor, de depredar o patrimônio da escola. Uma das minhas peripécias era usar o banheiro dos professores e quando eles percebiam reclamavam que não era para eu usar o banheiro dos alunos.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Outra coisa que fazia era se davam mole, pulava o muro e fugia da escola sem ninguém perceber e me mandava pra brincar em casa. O máximo que gostava da escola era o handebol, onde cheguei a participar de um campeonato entre as escolas e chegamos em terceiro lugar, mas também não foi uma coisa tão fanática assim como eu era com bicicleta e skate. Eu achava muito engraçada porque tudo sempre era minha culpa, tudo cai na minha conta e todos meus colegas já sabiam disso. Era muito injustiçado. Pra ter uma ideia, isso que te contei, o pessoal se embriagou feio, bebeu todas, para não dizer coisa pior e já estavam dizendo que a culpa era minha. Sempre fui crítico das coisas, eu tinha uma sacada diferente, era engraçado, fazia a galera rir, era um pouco líder, referência dos colegas.

                        
 Não prestava muita atenção na aula, não fazia muito exercício, mas tirava notas boas e outras vezes tirava alguns zeros, cheguei a ir em recuperação algumas vezes. Mas hoje eu compreendo que o aluno imperativo tem que ser atraído pela escola, pela matéria, pela escola, pelo método de ensino. Eu acho que o método de ensino tem que ser revisto, você tem que ser atraído pelo ensino, então você se dedica mais. Aquele modelo tudo igual para todo mundo, não servia. Ainda acho isso errado. Entendo que cada pessoa deveria ter um método de ensino diferente e principalmente utilizar as práticas do dia a dia como ensino. De repente uma pessoa não gosta de matemática, mas meche com motor e faz uma conta que é uma maravilha. Meche com dinheiro e sabe melhor que ninguém sobre matemática. Enfim utilizar mais conceitos lúdicos de aprendizagem do que simplesmente e só teorias.



A escola deveria fazer um link da teoria com o dia a dia dos alunos. Isso eu nunca vi na minha época. E acho que hoje em dia já existem escolas que adotam esse conceito da pratica do dia a dia que você vai encarar mais à frente no mercado de trabalho, com profissionalismo  ou aposto se você falar sobre física e se me falar sobre aerodinâmica, por exemplo eu iria ficar louco, eu iria ficar amarradão. Sobre evaporação com lance das térmicas do voo livre por exemplo eu ficaria fascinado. Então é usar esses tipos de exemplos para motivar a gurizada e tornar as coisas mais atrativas. A questão da sustentação ou do arrastro. Isso tudo são pequenos exemplos. Eu por exemplo se fosse dar uma aula de física para a criançada iria utilizar como elementos lúdicos o voo livre e você pode usar milhares de outras coisas que as pessoas gostam.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Na verdade eu tinha uma brandaime, que é uma bicicleta de amortecedor, onde eu empinava muito ela. A rua que eu morava tinha em torno de 500 metros e boa parte dela eu empinava a bicicleta. Sempre fui apaixonado por brincadeiras radicais. Certa vez construímos uma rampa que projetava a bicicleta para cima, e eu fui pular essa rampa e a bicicleta foi projetada muito pra cima, a bicicleta caiu com uma roda só, a de trás, e eu ainda consegui empinar, eu sai andando com ela, mas não teve jeito cai e fui com tudo, e cai de bunda no chão. Minha mãe de longe assistiu tudo, ela ficou muito preocupada com minha coluna. E de castigo furou o pneu da minha bicicleta, deixando um tempo sem. Eu acabei ficando doente, fiquei com febre porque não podia andar de bicicleta. A gente pegava papel de pipoca e transformava em luvas quando estava com as mãos machucadas e cortadas.

    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Colocávamos tampa de Claybom nas rodas para fazer barulho de moto. Nessa época nem sonhava em nada de voo livre, isso tudo era distante da minha realidade. Quando surgiu o skate da coca cola, eu não largava ele. Meu fanatismo quando criança mesmo foi a bicicleta. Eu tinha um irmão que tinha moto, e a gente gostava muito de moto cross. Aos dez anos de idade, quando ainda não tinha a consciência dos riscos de incêndio que tenho hoje tenho, gostava de ir aos campeonatos de balões gigantes enormes, também naquela época nem era difundido os riscos de incêndios nas cidades e nas matas. Hoje já adulto sei da irresponsabilidade que é soltar um balão e suas consequências, perigo de fogo e essas coisas.


   VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Nunca fui uma criança de viajar de avião. Aliás até hoje viajei pouco de avião. Devo ter voado no máximo cinco vezes e isso ainda foi bastante. A verdade é essa. Viajava muito de carro. Meu primeiro voo de avião foi pela Gol do Rio de Janeiro para Porto Alegre, fui para o sul com amigos para voar de parapente em Sapiranga e Nova Petrópolis, fui no cantinho na janelinha. Eu voei de parapente bem antes que de avião. Meu sentimento ao entrar no avião era de uma curiosidade enorme de nunca ter voado sabe, com pouco de mistura de medo. Lembro que nos dias anteriores havia ficado bem ansioso e preocupado para voar. Felizmente esse voo foi bem tranquilo, nada de turbulências. Foi bem legal, muito bacana. Foi uma experiência maravilhosa. Mas eu tive um outro voo, também voltando do sul de um casamento que peguei uma turbulência que eu dei uma boa rezada, o maior silêncio dentro da aeronave. Eu sempre fui muito curioso a respeito de desastres aéreos, era apaixonado por esses tipos de filmes de aviação em geral.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Muito curioso nessas paradas para fins de conhecimento mesmo de ver como funciona. Eu me sinto muito mais seguro voando de parapente do que de avião. Porque o avião tem tantos parafusos. Tanta coisa que pode dar tanto problema. Então, a gente fica sempre com um pouco de medo. Esse meu medo no primeiro voo de avião, não foi um medo de pavor, nada disso não. Foi um misto de combinação de medo, curiosidade, empolgação e de sonho e realização de estar realizando aquilo pela primeira vez, de estar conquistando aquilo. Posso até dizer que é engraçado a gente voar de parapente e ter medo de voar de avião. E todo mundo anda de avião, todo mundo trabalha com avião, até parece que voar de avião é que nem andar de ônibus. E para mim aquilo estava sendo novidade. Era a primeira vez que eu estava andando de avião realmente, depois de velho e coisa e tal. Foi mais ou menos isso.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Eu fico fascinado por voos a noite, quando posso olhar as cidades iluminadas lá embaixo. Eu fico o tempo todo na janela observando, vendo e pensando. Enfim fico fascinado com as visões noturnas. Muitas vezes é perto do mar, então não se pode ver muitas luzes. Mas quando se voa em cima das cidades, eu fico fascinado olhando na janela. Assim eu nem percebo o tempo passar. Acaba sendo muito rápido o voo. Nunca fiz voos com escalas, sempre direto. Eu sempre voei para o sul do Brasil. A minha maior adrenalina sempre foi nas decolagens e nos pousos, quando eu fico mais impressionado. Eu fico muito apreensivo na hora que vai chegando o pouco, a gente sabe que é a hora que pode dar merda. Mas durante o voo sempre estou tranquilo, na janela, fascinado, admirando e pensando na vida. Admirando aquele visual e aquele momento.



Meu primeiro contato com o voo livre foi aos quinze anos. A maioria dos locais de decolagem de parapente são mirantes que o pessoal visita. Como por exemplo Topo do Mundo, Parque da Cidade, Sapiranga. As pessoas vão para namorar, ver o pôr do sol. São pontos turísticos. Então eu tinha ido ao Parque da Cidade aqui mesmo em Niterói com uma namorada para mostrar o visual e curtir a natureza e tinha uma turma treinando e voando. Eu nem sabia direito o que que era. Eu fiquei observando os instrutores com rádios colocando alunos para voar e eu achei aquilo fascinante. Depois aprendi que aquilo era o famoso voo prego, ou seja, é o voo que o piloto sai da rampa e vai direto para o pouso. Eu nunca imaginava que a gente pudesse ter a possibilidade de fazer aquilo. Mas por outro lado aquilo ainda era uma realidade distante para minhas possibilidades naquela época. Era adolescente, tinha quinze anos, não tinha grana. Parecia ser um esporte de elite, muito caro, sabe. Mas lá no fundo eu pensei, se um dia eu tiver oportunidade, gostaria de experimentar, de voar, isso eu gostaria de fazer.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Passaram nove anos, e fui na casa de um amigo meu, que acabou "furando" comigo num evento que iríamos ir de exposição de barcos. E eu para não ficar com tempo ócio resolvi ir no Parque da Cidade, que era ali pertinho estudar para uma prova da Faculdade de Comunicação. E lá tinha um cara começando  a se preparar para voar e me convidou a fazer o voo duplo. Eu muito receoso e com medo deu como desculpa que estava sem a máquina fotográfica e deixaria para uma próxima vez, pois gostaria de fotografar. Então, o pessoal que estava por perto disseram que fotografariam a decolagem e o pouso e as fotos lá de cima e depois me mandariam. Por fim acabei voando no impulso. Achei maravilhoso, lindo, espetacular o voo. Pousei e já fui perguntando como seria para realizar o curso. Naquela época estava trabalhando como contato publicitário e já estava ganhando meu dinheirinho. E vi que tinha possibilidade de fazer o curso. As fotos que eles tiraram? Nunca me mandaram kkkk !!!!!  Mas foi assim que eu entrei no mundo do parapente.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Na época que comecei a voar ainda tinha um pouco do pioneirismo, não eram muitas pessoas que voavam. Então, no começa tínhamos uma cultura que se caíssemos na árvore e arrebentasse uma linha, nós simplesmente dávamos um nós nela e saia voando e pronto. Não tínhamos muita preocupação com manutenção e segurança não. E foi assim, muito por acaso, sem planejamento que o voo livre entrou na minha vida, de forma inacreditável, não tinha muita grana, foi acontecendo. Falei para minha mãe e minha irmã, mas ninguém acreditou muito em mim. Quando todos viram eu estava com a mochila em baixo do braço e eu saia para voar, nunca tinham visto e eles saíram para olhar e então perceberam que realmente eu estava voando, e acabaram aceitando a nova realidade.



O meu curso não foi muito fácil, acabei quebrando o pulso da minha mão (osso escafoide) no morrinho. Minha mão ficou que nem um "S". E depois para completar eu quebrei a bacia. Eu voando  no treinamento fiquei com medo de um fio de alta tensão, estourei o parapente. Isso foi ainda quando da época do treinamento, quando estava aprendendo. Cheguei a andar de cadeira de rodas na recuperação da bacia.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Depois de concluído o curso, fui adquirindo experiência, mais técnicas e consequentemente mais segurança de voo. Na época que comecei a voar de parapente era normal voar sem paraquedas reserva. Porque quem não tinha grana, reserva era luxo. A gente comprava os equipamentos por etapas. Primeiro comprava o rádio, depois o reserva. Estou brincando ....... Mas hoje são outros tempos. Atualmente se prisma muito pela segurança. Não se dá mais aula sem reserva. Mas na minha época devo ter voado uns seis meses sem reserva. Aliás quem comprou meu reserva foi minha mãe. Quando ela descobriu que eu estava sem, na mesma hora, mandou eu comprar. Meu primeiro parapente foi um bem velho todo furado. Tinha caído num fio de alta tensão de outro cara, tinha chapiscado ele. todo furadinho, foi o que eu comecei a voar. Fiz lindos voos com esse parapente furado. Foi muito bacana.


O meu treinamento foi em Leopoldina em Minas Gerais. Eu era apavorado de medo. Para falar a verdade muito apavorado, muito assustado. Com aquilo tudo. Para qualquer lado que eu iria pousar, eu pousava com uma velocidade enorme. Foi numa dessas que eu coloquei a mão para baixo e quebrei o pulso, entortei minha mão toda e fui para o Hospital aqui no Rio de Janeiro. A formatura no parapente é um pouco diferente de um batizado de um piloto de avião que normalmente toma um banho de óleo. Ou de um voo de balão que sempre é finalizada no pouso com uma garrafa de champanhe. Nós do parapente não temos algo assim formal, alguns no primeiro voo levam vinho, outros levam champanhe. E na formatura do curso ou no primeiro voo de rampa na escola eu costumo levar os meus alunos para uma churrascaria. Na minha época era tomar cachaça mesmo ou beber uma cerveja. Íamos para a noitada aproveitar e comemorar. Esse é o nosso ritual. Seria bacana pensar num ritual diferente como dar um banho de champanhe no primeiro voo de rampa, quem sabe né? Podemos inovar nisso. Poderia ficar bem marcante para o aluno, seria bem interessante.


A primeira vez de tirar o pé do chão era assustador por causa do morrinho. Porém minha primeira decolagem na rampa oficial, foi um dia muito claro, muito lindo. Num feriado de 01 de maio. Com um pôr do sol lindo e maravilhoso, e condição estava muito laminar e tranquila. Como eu já tinha feito muito morrinhos, eu estava muito tranquilo. Então meu primeiro voo de rampa foi sensacional . Foi uma sensação única e eu pedi para o meu instrutor para estar me decolando. Vários amigos que estavam decolando durante o dia me deram também o maior apoio. Eu havia ficado o dia todo na operação resgate e por fim decolei da rampa. Foi uma sensação única, inesquecível, muito bacana. Prestava atenção eu tudo, o pouso não lembro muito bem, mas foi tranquilo também. Esse dia ficou muito marcado, com aquele pôr do sol, exatamente no meu primeiro voo.


A gente vai tirando o pé do chão desde o tempo do morrinho aos poucos. Mas o morrinho era muito traumatizante, era com velocidade. Fazia umas curvas dinâmicas, com muita velocidade, ficava muito tenso. Eu não ficava confortável no equipamento, até porque o equipamento não era muito confortável. Equipamento de escola tem várias regulagens, então cada aluno vai e mexe. Mas esse primeiro voo da rampa foi sensacional. Não estava com tanto medo, mas a adrenalina lá em cima. Sem dúvida tinha mais medo no morrinho, até porque lembro que haviam uns cupinzeiros que volte e meia eu dava umas porradas neles, que não era mole não.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

A sensação de voar, só você voando para compreender. Eu já realizei vários voos magníficos, tanto solos como em duplas. Um voo duplo inesquecível foi ao redor do Cristo Redentor. Foi sensacional. Foi numa segunda feira. Filmamos e tudo. Me senti abençoado e agradecido. Agradeci no momento a minha mãe, minha irmã, as pessoas que eu gosto. Na hora vem uma sensação de privilégio de estar voando ao redor do Cristo, de estar naquele local. Nesse voo do Cristo eu já era muito experiente, já era instrutor. Você já tem que saber fazer uma boa leitura de todas as situações para fazer um voo dessa magnitude. Fui e voltei e pousei no gramado de São Conrado.

    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Calculei tudo, sem o risco de pousar na metade do trajeto, com tempo bem folgado. Muita gente já tentou e teve que ficar no caminho, pousando no jóquei e até se machucaram pousando em árvores para fotografar o cristo, forçando a barra. Eu nunca me preocupei em provar nada a ninguém. Os meus voos eu sempre fiz para mim. Devo ter feito três Cristo. O voo do Cristo é um voo ícone. Todo mundo almeja e deseja fazer esse voo. Ao mesmo tempo que você se sente grande por chegar ao lado do Cristo, você também se sente tão pequeno por estar tão vulnerável ao lado da mãe natureza. É uma sensação de privilégio. Temos que respeitar tudo, fazer a leitura bem exata.


Eu nunca tive equipamentos eletrônicos caro, como GPS, variômetro, campass e outros, nunca tive essas coisas não. Sempre fui de voar no couro mesmo. Mas já voei com eles de um aluno, num voo duplo que havia comprado, antes mesmo de ter concluído o curso. Mas na verdade os equipamentos não me deram muita referência mesmo não. Como estou tão acostumado a voar sem equipamento. Então, a referência sem equipamento é muito mais fácil do que ficar realizando as leituras dos equipamentos.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

A vida de parapente tem muita história engraçada, a gente voa e depois pega muita carona. Eu já peguei carona com motoqueiro bêbado, na verdade a carona era muito mais perigoso que estar voando no parapente, o cara arrotava aquele bafo de cachaça, e eu acho que se eu acendesse um cigarro ele até iria explodir. Já peguei carona em caminhão de lixo. Pessoas fascinadas viram eu pousar e oferecer lanche e carona. Já pousamos em fazenda e o pessoal oferecer churrasco. Esse esporte fascina muita gente, e facilmente fazemos muita amizade. Lembro uma vez que estava um sol muito quente e eu passei mal quando posei numa fazenda e uma senhora ofereceu uma banheira antiga na rua cheia de água para eu deitar dentro, essa banheira servia como bebedouro para as vacas, a água era limpinha.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

O pessoal demorou um tempão para me resgatar e quando chegaram eu estava dentro da banheira me recuperando. Tem muita história gostosa. Já peguei carona em trator da prefeitura, carro na polícia. Eu pousei e estava caminhando na estradinha e nisso ouço a sirene da viatura, e penso agora só falta eu ser preso e o policial fala "o meu vimos você lá em cima, que legal, quer uma carona, entra ai". Outra vez, peguei um vento muito forte e levei um banho de poeira no pouso, nisso um senhor todo embriago me disse "para voar nesse negócio tem que tomar um negocinho para ficar um pouquinho mais leve, não tem não"


   VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Felizmente nunca deixei cair nada lá de cima. Isso é uma questão de segurança principalmente para as pessoas que estão lá em baixo. Agora incidentes de voo, já aconteceu de eu pegar um sudoeste entrando ali em Niterói a 70 km por hora  e ele vira de repente, a gente estava voando de norte e ele entre de sudoeste. Então quando entra o vento gelado da frente fria, ele entra por baixo e vai deslocando tudo que é ar quente, que é exatamente onde eu estava. Então dá uma diferença de temperatura que a gente sobe muito rápido e se subir muito a gente não consegue descer com rapidez.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Então, foi a primeira vez que isso aconteceu comigo, eu subi em instante uma enorme distância em segundos e com muita calma tive que colocar em  pratica tudo que havia aprendido. Porque eu tive que descer numa espiral forte, caso contrário eu teria que encarar uma entrada para dentro da cidade, e eu já sabia que lá estaria pior ainda naquele momento, porque dentro da cidade o vento estava muito mais forte e gelado. Então encarrando os rotores, fechar a asa, cair num fio de alta tensão. Fui prudente e agi rapidamente com meus conhecimentos. Fui andando de marcha ré e cai dentro de um valão de esgoto. Cheguei a colocar só os pés. Mas não tive maiores problemas.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

E outro momento em Governador Valadares logo na decolagem tomei uma fechada de front stow, onde no interior ela afrouxa a linha e você caiu numa posição de efeito de corrimão querendo se apoiar e proteger as costas e você acaba estolando a vela. Assim, você vai caindo, caindo, caindo de costas e vai afrouxando as linhas. Então você tem que arrumar uma posição para que você libere a asa para você voltar a voar. Porque a posição de corrimão é de estolar a vela, ela fica louca, em cima da sua cabeça, como se fosse uma ferradura querendo voar e você não consegue. E tem várias situações perigosas que você pode cair dentro da vela e gerar um acidente sério. Nesse dia eu entrei nessa situação, fiz esse efeito corrimão, quando eu vi que iriar dar uma porrada na pedra, larguei tudo para jogar o reserva, eu estava com  uma cadeira nova, então eu tive que largar os freios todos da mão para poder achar o reserva. Quando fiz esse procedimento a vela voltou a voar tustaduo, ou seja, as linhas enroladas como se fosse uma trança. Eu tinha rodado no eixo. E então as linhas embolaram. Assim a vela estava voando para fora da pedra e meu corpo estava para a pedra. Com calma afastei da pedra e comecei a desenrolar e distustra. Então pousei com calma. O pessoal que estava em Valadares até apostou se eu no dia seguinte decolaria novamente ou não. Mas eu tranquilamente decolei e fiz um maravilhoso voo, meio tenso e nervoso, risos. Tem pessoas que numa situação assim abandona o voo livre para sempre.


Agora em voos duplos nunca tive problemas, até porque já faço voo duplos há mais de quinze anos e nessas situações tudo é muito planejado. Então é muita responsabilidade, Sempre fazemos trechos de absoluto conhecimento e sem riscos. Nestas situações de Curso com Aluno desprezamos qualquer situação que pode ocorrer risco de encararmos uma frente fria. Se eu vejo que a previsão na meteorologia de frente fria já nem marco voo nesse dia, para não ter esse risco. Claro que temos que estar preparado e qualificado para qualquer mudança de tempo lá em cima. Felizmente nunca peguei temporal. Mas já peguei chuva, acabei entrando dentro da nuvem, o parapente estava quente, condenso, correu um pouco de água. Foi uma chuva que não chegou nem lá em baixo, mas por nós estarmos dentro da nuvem a gente se molha um pouco. Mas não era uma nuvem perigosa.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

A sensação de poder proporcionar a outras pessoas a possibilidade de realizar um sonho de voar de parapente é magnifico. São histórias e histórias nestes meus quase vinte anos de professor de parapente. Cada aluno ou passageiro tem uma história de vida diferente, é uma emoção diferente para cada pessoa e temos que curtir aquele momento. Tenho muitos vídeo enviados por pessoas que voaram que estão postados no Orkut, que tem o maior prazer de dar o seu abraço, seu feedback e novamente agradecendo a oportunidade de ter voado comigo. Uma das maiores emoções que tive foi a oportunidade que pude proporcionar foi a um rapaz humilde que tinha o sonho de voar, que queria fazer uma asa delta de bambu e papelão.


    VOE COMIGO - 021 9 6473 8499

Ele era da limpeza pública aqui de Niterói. Esse voo com ele foi uma coisa muito emocionante, durante o voo ele me disse que a gente sempre tem que acreditar nos nossos sonhos e hoje estou realizando o sonho da minha vida. Cada voo é um voo especial. Já fiz casamento, pedido de noivado, o noivo colocar um cartaz lá em cima para a noiva aqui no chão, loucuras assim. Onde a expectativa é de a pessoa dizer sim, claro né. Imagina a pessoa faz tudo com a maior dedicação e carinho, gasta o maior dinheirão e na hora a outra pessoa diz "não", já pensou ? Felizmente todos os pedidos de casamento que eu fiz, sempre tiveram um final feliz. A galera tem muita criatividade.

VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Já voei com uma menina de quatorze anos, o namorado havia pagado o voo e depois fiquei sabendo que ela ficou menos em tratamento de câncer após o passeio. Já fizemos com pessoas de idade com tratamento de câncer que tinham o desejo de ver a cidade lá de cima. Outro que me emocionou muito foi um motoqueiro que precisava arejar a cabeça e contou que havia perdido sua irmã e sua mãe estava em coma no hospital, isto lembrou minha mãe, que havia pouco tempo que havia partido. Perdi minha mãe com 81 anos, não sofreu tanto, a morte é uma coisa natural e completa o ciclo da vida. A gente nasce, cresce, desenvolve e morre. Tem países que até fazem festas, mas a gente não está preparado para isso. Eu ainda estava triste com a partida da minha mãe naqueles dias, e vendo o que ele estava passando, acabou diminuindo a carga pesada dos meus problemas, Deus as vezes coloca nos nossos caminhos pessoas para aliviar nossos sofrimentos, é muito estranho.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Teve um senhor de oitenta e poucos anos, num dia de muito vento, e eu lhe disse por questão de segurança que não iríamos voar naquele dia não e ele me respondeu na minha cara "Pô ta com medo de voar com velho?" Então marcamos na outra semana. Assim, que pousamos, ele já pegou uma cerveja, hiper animado, bem de vida, muito feliz. Voo com crianças é muito emocionante também, as crianças Caio e Nicolas também foi sensacional. As crianças dão um feedback na sua pureza, na sua empolgação e na sinceridade. Lembro de uma criança que disse lá de cima "Eu criançada da creche eu estou voando."  Já fiz voo com pessoas especiais, uma delas foi a Camila que voou duas, uma em 2005 e outra vez em 2012. Tem pessoas que durante o voo que choram, outros gritam, cada um expressa a emoção de uma forma diferente. Outros me agradecem, me abraçam. É muita emoção durante o voo.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Minha experiência como instrutor é que não se pode ter preconceitos, quero dizer conceitos precipitados de algum aluno. Somos surpreendidos muitas vezes por nossos alunos, as vezes eles têm uma falta de habilidade no começo como equilibrar o parapente, mas na hora da decolagem ele se dá muito bem. Na hora de risco, ele se resolve tranquilo. Tem alguns que são ótimos em equilíbrio e tal, mas se comportam diferente na hora da rampa. Assim, cabe a nós profissionais de voo livre, compreender com calma cada um de nossos alunos, suas habilidades, suas dificuldades, seus limites, e não querer ultrapassar as etapas da aprendizagem com segurança e com equilíbrio em conjunto da personalidade do aluno. O instrutor tem que passar segurança acima de tudo ao aluno. Ninguém aprende no grito ou no berro. Não se transmite conhecimento por osmose. O instrutor tem que entender e trabalhar os possíveis traumas e medos do aluno. Cada aluno é diferente do outro aluno. Muitas vezes o que a técnica que aplica com sucesso a um aluno, não irá funcionar a outro aluno, exatamente porque cada aluno é diferente do outro.


Por outro lado, o sucesso depende muito do aluno também, sua dedicação, seu esforço, vai ter que suar a camisa, a sua vontade de querer alcançar seu objetivo, infelizmente o aluno para alcançar seu objetivo final vai ter que ralar um pouco, porque senão não vai aprender com segurança a voar, e este é o objetivo, aprender a voar com segurança. Por exemplo a banda Rolling Stones tocam a cinquenta anos, mas quando vai fazer uma turnê, ensaia as mesmas músicas dezenas de horas, o voo livre é a mesma coisa para aprender a voar. Isto que as pessoas tem que estar em mente, praticar aquilo que gostam para fazer bem. E assim, cada vez a gente vai fazendo melhor. E isso me incluo também. Nós como instrutores não podemos nos relaxar, temos que estar sempre aprendendo coisas novas, novos métodos de decolagens ou de pousos, leituras diferentes. você tem diversas possibilidades numa decolagem, alpina, invertida, do ladinho, cobrinha entre outras. Não pode ficar estagnado só em uma coisa. Enfim tem que praticar e sempre buscar a segurança no voo livre e passar isso para os alunos. A prática leva a perfeição.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Talvez a parte ruim, ou menos gloriosa de ser instrutor é que temos que ser atrativo, mas ser responsável também. Assim, incentivo pouco os alunos a pousarem em rampa e algumas outras coisas interessantes e charmosas no começo do curso do voo livre porque é um momento muito arriscado e prefiro focar a atenção deles a segurança. Fico muito focado a parte de segurança, como por exemplo se dedicarem bem a decolagem, a fazer a leitura da meteorologia e voo e principalmente um bom pouso. Essas são as coisas que entendo que o aluno tem que se concentrar em fazer bem.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Incrivelmente nunca pratiquei nenhum outro esporte como Asa Delta, Paraquedismo, Paramotor ou Ultra Leve, mas pretendo ainda me permitir experimentar essas outras novidades. Tenho um pouco de receio e de medo. Até é um pouco estranho eu dizer uma coisas dessas, depois de vinte anos voando de parapente. Mas vamos deixar mais para frente, vamos deixar minha filha crescer mais um pouco, ela agora está com um ano e meio. Depois que ela nasceu eu fiquei mais cabreiro, mais caseiro, mais recluso, mais concentrado com ela. Por outro lado eu já fiz algumas lenhas. Lenhas a gente chama de merdas que a gente faz no paraquedismo. Já fiz voo triplo também. Incrivelmente eu sou um cara muito medroso, então, por isso me torno um cara muito seguro.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Ou seja, escolho muito bem as condições minhas e de meus alunos para voo. Isso as vezes gera até um desconforto ou estres, porque o aluno vê outros instrutores colocando seus alunos para voo e eu não o coloco para decolar. Acontece que eu tenho um visão diferente de outras pessoas. Por exemplo colocar um aluno num dia que está lotado de parapente, quando muitas pessoas podem não respeitar regras de tráfico pode ser um risco, a personalidade do aluno, a minha visão sobre as possibilidades de mudança das condições climatológicas que poderão ocorrer de uma hora para outra. Não sei se eu exagero um pouco. Mas pecar de mais, não é uma coisa tão ruim. Também não quero que meus alunos percam totalmente seus medos, porque podem virar pilotos abusados e em razão disto sofrer um acidente, sem minimizar risco. Ou seja, uma pessoa que não tem medo, ela não minimiza os riscos. Acredito que devemos sempre realizar um checklist antes de voar, verificar se aquele condição do ambiente é aquela que você realmente deseja, se você está concentrado para voar, se o equipamento está perfeito. Então o mendo é um fator de segurança, estando ele no lugar e na dimensão certa.


Desde que eu voei pela primeira vez e até hoje muita coisa evoluiu no parapente. Muito material novo foi explorado. Então acredito que muita coisa ainda vá acontecer. O homem está sempre em evolução. Hoje existem linhas do parapente que são quase da espessura de um fio dental, é incrível, até parece que nem tem mais linhas, de tão finas que são e surpreendentemente é sua resistência. Por outro lado quando eu comecei as manobras era básicas e hoje existe uma infinita quantidade de manobras com variações de vários eixos. Assim é possível perceber que o esporte está em evolução o tempo todo e nem consigo imaginar onde iremos chegar.



Uma das minhas perspectivas é passar as coisas boas que vive até hoje para a minha filha e o voo livre está esquadrado nisso, que é a contemplação e respeito da natureza, é a amizade, o equilíbrio com as coisas, a gente saber a hora de decolar, saber a hora de ficar recluso, parado e até mesmo não decolar. É saber a hora de você estampar e entrar na nuvem e também ficar com os pés nos chãos. Então, isso tudo eu quero deixar de delegado para outros jovens, quanto apresentar isso para minha filha. O voo livre propicia muita coisa boa, como a união, controle emocional, as avaliações, temos que saber avaliar o clima, assim podemos levar isso para a vida. É o balanço que temos que estar checando, estarmos tomando conta, os cuidados.


Sobre o futuro do parapente acredito que poderá chegar a ser utilizado como meio de transporte por exemplo para as pessoas irem trabalhar, seja com motor ou sem motor, quase como se fosse uma bicicleta. As pessoas viajarem nas suas férias ou até mesmo a trabalho. Isso já é hoje uma realidade na França e nos Alpes, onde a galera pega um equipamento muito leve, uma mochila, uma barraca. Acredito que seja essa a tendência do parapente em grande massa para as próximas décadas, que permitirá as pessoas a voar, caminhar viajar. Isso é maravilhoso você voar, ver um lugar bonito, pousar e poder acampar, no outro dia ver o nascer do sol e depois decolar novamente. Inclusive existe até uma competição que decolam dos Alpes e vão até Mônaco, sendo mais de 1.000 km, onde só pode caminhar e voar, onde são condições extremas, com voos muito legais e claro com equipamentos muito modernos. Para se ter uma ideia um parapente normal chega a 35 kg e existem hoje equipamentos de até 6 ou 7 kg, muito pequenos e cada vez diminuindo mais o peso.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Quero poder continuar nos próximos anos realizando meu trabalho de voo livre, atendendo os turistas, dando boas risadas, apresentando a gastronomia da cidade do Rio de Janeiro, a boa natureza, a boa cultura, tudo integrado num dia só. Continuar fazendo o trabalho de excelência. eu sou do TripAdvisor nós somos cinco anos consecutivos, com comentário positivos do mundo todo. Se alguém não conhece o meu trabalho eu sempre recomendo acessar o TripAdvisor que lá vai encontrar vários depoimentos de alunos e passageiros que voaram comigo e melhor do que ninguém podem falar sobre o meu profissionalismo.


Alguns são bem simples, porém demonstram bem o meu trabalho. Eu atendo pessoas do mundo todo. Existem depoimentos de brasileiros e de estrangeiros.
O voo livre casou com minha atividade profissional, pois sou Guia de Turismo, sou formado em Comunicação Social Propaganda em Marketing, trabalhei muito tempo na área de minha formação original e depois fiz o curso de Guia de Turismo por paixão e natural com o voo livre. Onde eu estava cansado de andar de terno e gravata. E o voo livre casou com o guia de turismo. Assim sou Guia de Turismo credenciado e também Instrutor e Piloto de Voo Livre. Quando eu trabalhava não tinha muito tempo para voar. Então optei em voar. Hoje trabalho voando. Isso é um espetáculo.


Tenho um projeto particular de levar o voo livre para pessoas que não tem condições, pessoas que tem o sonho de voar e muitas vezes as oportunidades da vida não permitem, Pessoas que as vezes estão doentes, desmotivas, que perderam um parente e que o voo livre poderia trazer esperança ou uma alegria para seus males. Com isso trazer novas esperanças, alegrias, quem sabe trazer forças para continuar suas caminhadas  e de continuar suas jornadas. Eu acredito que tudo que é bom, devemos propagar. Até no face tudo que é bom eu compartilho. Então eu tenho muita vontade de encarar um projeto assim. Eu não tenho o projeto pronto ou desenhado, mas as vezes levo algumas pessoas e é muito bacana poder colocar um sorriso no rosto destas pessoas, isso não tem dinheiro que pague, eu acho que já vale a pena.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

Agradeço muito a Deus por ter chegado até aqui. Agradeço muito a minha mãe, a toda minha família, aos amigos que não pertenceram a este meio do voo, que muitas vezes me olharam como maluco, que muitas vezes a gente estava olhando para cima, olhando para a nuvem, olhando para o urubu como referência térmica e as vezes a gente encontra um outro amigo do voo e passamos a conversar somente sobre aquilo. Então fica uma coisa chata, uma coisa de maluco. Agradeço ao amigos que me compreenderam e ficaram comigo até hoje, que tiveram a paciência, porque uma vez voador, somos um pouco lunáticos, meio fanáticos na coisa. A gente fala muito sobre isso, então algumas vezes somos um pouco incompreensíveis.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499

O nosso comportamento é diferente. A gente olha pro céu de uma forma diferente, a gente faz uma leitura do céu de uma forma diferente. Agradeço a todos os alunos que depositaram a confiança em mim e todas aquelas pessoas que voaram comigo. Muitas delas ficaram minhas amigas e outras viraram voadoras também, outras retornam para voar novante e alguns trazem para voar a namorada, o pai, a mãe, já cheguei a voar em alguns casos depois com a família toda. Teve um caso que num ano o pai presenteou a filha e no ano seguinte a filha presenteou o pai. Cheguei a voar até com a irmãzinha de sete anos, sem cobrar nada que ficou feliz da vida.


    VOE COMIGO  021 9 6473 8499


Adriana Souza 
Esse é um sonho ainda não realizado. Deve ser incrível! Quantas histórias legais vividas. Parabéns meu conterrâneo, pela coragem e persistência! Hoje já não sei mais se posso por ser cardíaca mas deve ser maravilhoso.


Joao D. Ribeiro 
Linda matéria. Emocionante narrativa. Parabéns!


Ale R Corte Nooooossa que foto linnnda isso sim.que é vida. que Deus a abençoe todos os seus voos até chegar ao céu. Anjos nasceram p voar!!!


Eduardo Cerdeira Paraquedas só como último recurso...parapente só se sair na barranco com 2 metros de altura...E olha lá..


Carlos Oliveira  Voar de Parapente ? Não. Tô fora

Isso e verdade, bem legal, história de voo livre trais boas aventuras, oportunidade vividas pra pessoa , lembranças boas e conhece outras pessoas no brasil e uma boa historia vivida no esporte .... ✅ 🪂 👍









domingo, 27 de outubro de 2019

Pietro - Mestre em Maquetes em Madeira





Tudo começou em Mundo Novo no Mato Grosso do Sul, quando eu tinha uns oito anos de idade, meu pai havia sido contratado para fotografar nossa cidade de um avião e me levou junto para voar. Lembro de poucas coisas, pois tudo era novidade. E que novidades!!!!! Lembro que ficava tentando olhar pela janela no último banco do avião. 



Mas quase não via nada pelo lado de fora, eu era muito pequeno!!! Risos !!! E depois de algum tempo pousamos em uma cidade vizinha para abastecer. Recordo de ter andado sobre a asa de e ter sentado no assento do copiloto. Observei todos aqueles instrumentos. Vagamente lembro de estar andado pelo pátio e de ter visto outras aeronaves.  Alguns anos depois comecei a admirar a gostar de aviões.


Na década de oitenta na minha cidade havia um aeródromo com um movimento razoável de aeronaves de pequeno porte e o barulho dos motores chamavam a minha atenção e os pilotos passavam quase tocando o teto das casas. Isso era espetacular. Alguns passavam tão baixo sobre a cidade que dava para ver se o piloto tinha bigode ou não. 


O pior ou melhor que praticamente chamava cada vez mais a minha atenção aos poucos comecei a visitar mais o aeródromo que naquela época era aberto e podia entrar e tocar na aeronave e quando vinha o governador e sua comitiva era a maior comemoração. Eram de cinco a nove aeronaves juntas e a minha festa estava garantida. 


Naquela época toda vez que aterrissava uma aeronave eu partia para lá de bicicleta como um doido. As vezes ao chegar lá o avião já tinha ido embora ou ainda via ele decolando , em seguida voltava para casa murchinho, risos.  Mas quando a aeronave ficava lá durante algumas horas, olhava tudo o que dava e quando algum piloto também tinha que ficar esperando o passageiro retornar ficávamos conversando. Alguns até deixava sentar no banco do copiloto e mostrava o painel e como funcionava, nossa para mim isso era coisa de outro mundo.


Certa vez aconteceu algo inesperado, um piloto  ele disse: estamos indo para Eldorado deixar um passageiro, que é uma cidade vizinha de onde eu moro, fica  uns 18 km por estrada, e em seguida partiria para Campo Grande e isso já era umas 17:00 horas, caso vc (eu no caso ) queira ir junto ai você dá um jeito de voltar. Nossa ai o pânico pegou estava de bicicleta e a mente nisso tomou rumo ignorado, resumindo, deixei a bike um matagal próximo e esperei o passageiro retornar. 


Nem pensava nas consequências de como iria voltar para casa. As 17:40 mais ou menos e a tarde já estava indo embora até que o passageiro apareceu e o piloto conversou   com ele e explicou se ele não importava se eu pegasse uma carona até aquela cidade e explicou o motivo e o rapaz disse tudo bem. Nossa aí o coração bateu 300 vezes por segundo. 


Entrei na aeronave, um Sêneca, aporta fechou o piloto fez toda a preparação deu partida dos motores ai mais ainda pensei, meu Deus onde fui me meter, mas rapidinho as preocupações sumiram o avião começou a movimentar e pela janela via o tempo começando a turvar.


O piloto alinhou a aeronave na pista e acelerou nossa que coisa fantástica que sensação indescritível tentei curtir ao máximo, mais ou menos de 3 ou 4 minutos depois a tristeza, e já estava pousando na cidade vizinha, meu que rápido que foi.  Pousamos aí o camarada que estava para ficar na cidade deu uma carona até a rodovia que ficava uns 2 km do aeródromo e lá fiquei contando com a sorte de pegar uma carona. Depois de 10 minutos apareceu um Senhor e sua esposa, ai deram uma carona até minha cidade.  


Pedi para parar próximo ao aeródromo que ficava na entrada da cidade, nisso já estava escuro e quase sem ver nada fui atrás da bike, já com medo de que alguém tinha levado embora, mas lógico não, graças a Deus estava lá. Senão ia ser duas surras uma pela aventura e outra pela bike e nisso tudo demorou alguns longos anos para eu contar para minha família o que tinha ocorrido.  Mesmo assim apesar do ato talvez não pensado, valeu a pena.


 Assim com o tempo fui amadurecendo o gosto pela aviação, comecei a juntar fotos e recortes de aviões. Logo vieram as revistas e mesmo assim quando ouvia o motor roncando de uma aeronave corria para cima de casa para cuidar se ele iria pousar. Assim que percebia o trem de pouso baixando eu pegava a bicicleta e partia para o aeródromo que ficava uns 5 km de casa. Cheguei a ir três vezes durante um dia, pensa nessa cena!!. 


E com nove e dez anos mais ou menos já vinha aumentando cada vez mais o interesse pela aviação. O que eu podia fazer era ver apenas pessoalmente e estar bem próximo as aeronaves. E claro tinha minha coleção de fotos, recortes de revistas etc. Enfim, mas nessa época já imaginava em ter algum modelo de avião perfeito em miniatura!!!


Havia uma banca de revistas que descobri que ela vendia revistas de aeronaves, nossa, chegava a ir até 3 vezes por semana para ver as capas. Naquela época acho que tinha umas 4 ou 5 tipos de publicações diferentes, como eu sabia onde ficava a sessão de revistas de aviação eu ia direto e nem olhava para o lado para ver.  Eu ficava fissurado , pegava alguma das publicações e olhava como se aquilo fosse algo de outro mundo, era fantástico, belo, reluzente novo, lindo. 


Pois era o que tinha na época , bem diferente de hoje em dia, e onde eu quero chegar eu não me continha ficava cego para o redor e quando via a capa e ou começava a folear a revista eu dizia em tom baixo; nossa ,nossa, ooolhhhaaaa isso , oooolhhhaaaa  affffff, ummmnosssaaa, algumas pessoas vinham por trás ao perceber o entusiasmo ,para ver o que eu estava tão empolgado nisso eu me continha um pouco as vezes eu saia sem ar e com o coração batendo a mil só por ver as capas ou as revistas inteiras, nossa que prazer, que satisfação que alegria.


Pois ainda era novidade nesse campo e fazia misérias para conseguir comprar as publicações não queria perder nenhuma, mas nem sempre dava. Se for perguntar para o dona da banca, hoje , como eu era na época ainda ela pode confirmar, nossa como uma coisa tão simples, algumas folhas de papel podia deixar tão vidrado tão entusiasmado assim, nossa que bom que foi aquela época.


Quando criança eu imaginava uma miniatura real, como se colocasse o avião real dentro de uma máquina mágica e a reduzisse no tamanho desejado. Pois naquela época existia apenas alguns brinquedos que pareciam avião ,mas só pareciam, risos. E foi nessa época que tive a ideia e iniciativa de construir a minha primeira maquete. 


Peguei algumas chapas de madeira de uma caixa de tomate fiz o desenho lateral de um avião  imaginário, no caso duas laterais iguais para formar a fuselagem ficando aquela coisa quadrada, e a asa apenas uma chapinha de pinos e pintei de marrom que era a tinta que tinha por perto. Nossa !!!! Pensa numa criança feliz, faceira e realizada por ter construído um avião, risos.


O tempo foi passando e a paixão cada vez mais aumentando. Sonhando, imaginando, fazendo planos etc. Tudo já voltado para a aviação. Com doze anos comecei a desenhar, até que depois de um certo tempo fazia desenhos em cartolina com algum tema alusivo a uma data comemorativa por exemplo dia do aviador, dia da aviação, de caças, entre outras. 


Colocava no mural do pátio da escola, de longe ficava observando os alunos passando e parando para ver o trabalho, muitas vezes  pendurava o trabalho no mural sem ninguém saber que era eu para ver a reação delas. Pois já estava em um nível até bom  nos desenhos, por fim fiquei conhecido pelos desenhos.


Então tive a ideia de tentar fazer um avião sofisticado de alguma forma, algum modelo.Trabalhei com o isopor e sempre procurando algum material diferente que fosse fácil de moldar, mas sem muita pressa  era apenas um passa tempo. Também tive uma ideia de colecionar objetos, mandava cartas para empresas de aviação,  pedindo revistas e fotos. Cheguei mandar umas 20 cartas em um mês e quando chegava pelo correio algum envelope, nossa,  pensa na felicidade, que tempo bom. 


Naquela época sem internet tinha que ser por carta, escrever uma por uma, comprar o envelope e o selo e colocar nos Correios e esperar semanas para talvez um retorno.  E desta forma fui conhecendo mais e mais sobre a aviação em geral. Tenho praticamente todas as fotos e revistas que comecei a colecionar até hoje. Atualmente são mais de 1 200 revistas, centenas de fotos e milhares de recortes de revistas e jornais e outros.


Só de revistas cheguei a juntar 1.200, infelizmente com o tempo algumas se perderam outras e outras não faziam sentido em ter.  Hoje tenho 965 exemplares, além de 6.000 recortes de jornais e revistas de todos os tamanhos e formas. Eu era tão obcecado em colecionar os recortes que muitas vezes via um jornal ou parte jogado na rua e de forma discreta pegava e procurava se havia alguma foto e quando passava em algum local que o morador havia jogado algum material como revistas tipo VEJA, MANCHETE eu dava meia volta e pegava tudo. 



Certa vez, o dono de uma farmácia jogou umas 48 revistas sendo a maioria da VEJA , afff, não pensei duas vezes levei tudo para casa e folhei uma a uma e cada foto que encontrava era uma satisfação enorme. Enfim, coisas da época. Hoje em dia com a internet a economia de tempo e dinheiro faz a diferença. 


Praticamente é possível encontrar de tudo e mais um pouco.  Principalmente os desenhos em três vistas que é primordial para se fazer as maquetes.  Quando adquiri o primeiro PC a primeira coisa foi buscar matérias sobre aviação, de lá para cá não parei mais. Hoje tenho mais de 22 mil arquivos entre fotos, desenhos reportagens de todo os tipos e formas. 



São anos garimpando procurando desenhos ,principalmente que pudessem me ajudar na elaboração dos modelos e mesmo assim alguns modelos nem com reza braba não se encontra. Um dos que demorei para achar foi a do SENECA. Acho que em 2018 que consegui as 3 vistas mais aprimoradas mesmo usando vários termos em inglês não conseguia encontrar um site que houvesse algo que fosse bom. 

    Agradecimentos a Dona Marisa Lucchiari Nunes pelo belo exemplar do Livro.

Mas acredito que nesse bolo de arquivos já tenho quase todos os modelos necessários e todo mês faço uma copia dos arquivos em um HD externo pois se o computador der um pirepaque tenho os arquivos guardados em outro lugar.  Imagina um raio vindo e descendo pela fiação e adentrando no PC e fazendo os arquivos irem para o além 15 anos de garimpagem perdidos, nesse caso só a mega da virada para relaxar......  


Na sétima série, participei de uma feira de ciências com o tema a "física do voo" e lá ocupei duas paredes da sala de aula com vários temas sobre aviação. Claro com fotos, várias revistas e três maquetes de 60 a 80 cm de comprimento feitas com isopor e revestido com papel cartão sendo um P-47,  um 14 Bis e um Bell  Cobra. Mesmo não dominando as técnicas de fazer em miniaturas isso rendeu convite para realizar outras duas apresentações em feiras de ciências nas cidades de Campo Grande MS e Foz do Iguaçu PR. 


Tudo isso só aumentava o desejo pela aviação e isso era todos os dias. Dentre muitos outros fatos e pensamentos corriqueiros nesse período, voltado a esse tema, procurei a aprimorar as técnicas de  construção das maquetes  Aliás , tentar faze-las menores , mas isso só foi mudar e ainda aos poucos


Na feira em Foz do Iguaçu que foi patrocinada pela ITAYPU em uma escola naquela cidade, depois de dois dias de feira, fomos levados até o parque nacional de foz para conhecer  o  parque . Quando na época o heliponto ainda era ao lado das cataratas. Estávamos ali de frete as uma das sete maravilhas do mundo observando aquelas enormes cachoeiras um sol de estralar mamona quando bem longe ouvi o som de um helicóptero. 


Então minhas anteninhas se ligaram, já estiquei o pescoço tentando achar de onde vinha aquele som e com isso o som só aumentava e eu doido quando que de repente um HB 350 esquilo surge do meio da mata de onde eu estava e passa devagar a uns 80 =100 metros na minha frete preparando para pousar no meu lado uns 50 metros pois ainda não tinha percebido o heliporto  que estava ao minha direita.


Noossaaa Senhooraaaa que tribulação foi aquela, já não queria sair mais da li, algum tempo depois a professora de ciências que estava monitorando o grupo de estudantes foi até um funcionário do parque  e perguntou se tinha como deixar aquele aluno, apontando para mim , voar de helicóptero ai mostrou a papelada do evento e disse que eu era apaixonado por aviação e que estava ali fazendo um feira de ciências  com o tema de aviação e eu ali sem graça de tudo, pensei comigo.


Acho que jamais vão deixar eu voar em um helicóptero de graça e não é que deu certo eles liberaram o passeio. Jesus,  nem podia imaginar, na época era´cobrado 40 reais por 10 minutos de voo  e eu durinho durinho. Imagina se não fosse a chorada da professora ia ficar só olhando. Foi ai que pela segunda vez voei, que fantástico, se eu pudesse não descia tão cedo, afff. ai sim valeu a pena todo aquele trabalhão da exposição.


Aos 23 anos fui realizar um curso em Navirai no Mato Grosso do Sul e um amigo me levou ao aeroporto, dizendo que ali havia um pessoal que fazia aviões de madeira,. Eu nem imaginava o que me esperava. Quando cheguei, o meu queixo e o resto da boca caíram !!!!  Haviam muitas maquetes. Algo até então que eu nem imaginava que pudesse existir. Eu nem sonhava o que seria uma maquete profissional e com aquele acabamento!!! Eles faziam sob encomenda, fiquei tonto de ver aqueles modelos. 


Eu nem podia comparar a alguma coisa de tão abestado que fiquei. Comprei um modelo deles um Seneca 3 com faixas azuis e vermelha. Nossa, para mim uma carreta carregada de ouro não tinha tanto valor quanto aquela maquete. Mais uma vez, havia recebido outro incentivo para me aprofundar nesse novo mundo que me abria da noite para o dia. Aprofundei meus estudos em desenvolver outros métodos e adquiri algumas ferramentas para ver se conseguia desenvolver algum modelo novo com aqueles requintes de perfeição.


Todo início é difícil, emprestando ferramentas e comprando outras. Praticando e com isso tinha dezenas ou centenas de dúvidas surgindo cada vez mais. E o pior sem tem a quem perguntar: Como colar a asa com a fuselagem?  Que material certo devia usar? Que tipo de massa usar?  



Como fazia isso e como fazia aquilo?  Pois não queria perguntar para aquele pessoal do aeroporto que já produzia para não ficar chato. Pois meu curso na cidade iria levar seis meses. Até que um dia tive a brilhante ideia de desvendar algumas dúvidas. 


Tive a coragem de quebrar, cortar abrir a maquete que eu tinha comprado deles. Foi então que comecei a dar uma melhor firmeza nas junções de asas e estabilizadores. Conforme as condições permitiam eu ia comprando as ferramentas necessárias e sempre que possível construindo e elaborando métodos para concluir e facilitar cada modelo. 


No período de elaboração dos modelos eu morava com a minha mãe e no fundo do quintal havia uma fossa e lá era o destino dos modelos que não davam certo ou que não ficava como eu queria. No final das contas, até o dia que realmente comecei a acertar os modelos deveria ter mais de 50 maquetes no fundo dela, mas tudo isso fez parte do processo de aprendizagem, risos.


O tempo que demorei para comprar as ferramentas básicas e adquirir a prática necessária para dar a forma correta das aeronaves não foi de um dia para o outro. Uma porque todo inicio de algum projeto leva tempo além, de questões de material e habilidade para desenvolver  tem outras questões como o tempo disponível, fatores pessoais e externos, como o ânimo que não podia deixar de ser influenciado por esses outros fatores e que as vezes algumas pessoas tinham muita força e as vezes eu passava meses sem trabalhar em nada,  pois por um motivo ou outro ou um cliente ou outro fazia os planos desmoronarem ao suspender ou não contratar um serviço. Coisas habituais da maioria de qualquer pessoa. 


Vamos assim dizer, no inicio pouquíssimas pessoas acreditavam e incentivavam a levantar a minha moral. Digo isso em todos os aspectos e níveis, na época por parecer algo insignificante para alguns e de pouco valor, mas eu já entendia. Pois a maioria, na verdade todas as pessoas, não tinha nada a ver com essa minha história e por isso não enxergavam naquilo como algo interessante. Logicamente que hoje é bem diferente, mesmo as pessoas que antes não demonstravam aquela admiração ou surpresa por ver um trabalho feito em madeira,  hoje muitos dizem : nossa parabéns!! 



Em 2012 comecei a notar que os modelos já estavam muito bonitos, com uma boa apresentação e com qualidade e cheguei a vender quatro modelos para alguns amigos. Foi quando tive a ideia de fazer uma exposição aqui na minha cidade, em alugar um salão por três dias para expor o material. Com isso surgiram várias ideias, além das maquetes, eu iria expor temas relacionados com a aviação em geral, história, pinturas, motores etc. 


Vários tópicos sobre a aviação mostrados em vídeos e fotos que na época e ainda hoje era o que mais eu tenho. Passei quase um ano planejando como eu poderia expor tudo isso. Planos, planos e mais planos. E a ideia era expor uns 20 modelos, mais tarde passou para 30 cada um diferente do outro. Quando eu já estava na construção da 23º aeronave a minha irmã chegou viu tudo aquilo e simplesmente falou:  "imagina postar isso no face, ainda mais que em dois meses é dia das crianças, vai vender tudo !!!!!"


A rasteira foi certeira, eu já estava com essa ideia de colocar nas mídias, mas só depois de expor os trabalhos como eu planejava. Acabei vendo que não compensava gastar tanto para fazer uma exposição que no final não renderia muita coisa apenas as pessoas saberiam que na cidade havia alguém que fazia maquetes e nada mais. No dia seguinte fiz a página no face book. Coloquei algumas fotos de alguns modelos já pintados e outros não. 


Acho que demorou quase 5 dias para elaborar algo que não fosse sem graça, mas simples e focar nas pessoas chaves.  Três dias após recebi algumas poucas curtidas e surgiu a primeira encomenda, um RV 10 preto com faixa verde limão. "Nossa", nem acreditei, nem sabia como lidar com o cliente, mas no final deu tudo certo e daí em diante aos poucos foi surgindo novos clientes, na primeira semana foram 3 encomendas e daí em diante a coisa fugiu do controle.


Os comentários sempre me entusiasmaram. São o combustível para cada vez mais aprimorar o modo de elaboração do trabalho. No início quando tinha que fazer o trabalho grosso como cortar e lixar a madeira, era em baixo de uma árvore de mexerica no fundo do quintal de casa ao céu aberto. Algumas ferramentas eu colocava em uma mala, levava e trazia para dentro de casa todo o dia.  O acabamento e a pintura eram em um quartinho nos fundos de casa. 


Em poucas semanas tive que fazer uma cobertura em madeira e com chão batido mesmo e não demorou muito para o local com 2 x2 metros ficar cheio de ferramentas, madeira e poeira que ficava depositada em todos os cantos com meu trabalho. A variedade de modelos encomendados era enorme desde aeronaves civis e até militares. Cada postagem rendia em média sete encomendas. Havia clientes encomendavam uma, duas e até três modelos ao mesmo tempo.


Houve um cliente que encomendou treze modelos. Demorei mais de um ano para entregar todos. Combinei que não poderia fazer de pronta entrega e parar todas as outras encomendas e o ritmo do meu trabalho. Felizmente nunca houve reclamação por nenhum cliente por ter sido mal feito ou algo parecido apenas sugestões e elogios. Houve um cliente encomendou um Cessna 172, ele não falava muito, sendo simples e direto, falou apenas o necessário. Até que enviei a maquete para ele. Dias depois recebo uma mensagem no whats dele dizendo "VC É UM FDP"   e não havia mais nada depois disso!!! 


Na hora que li aquilo perdi o chão, pensei meu Deus será que mandei um gato morto e nem percebi, risos!!! Será que troquei o modelo? Será que quebraram ou roubaram a maquete? Fiquei apavorado!! O que poderia ter ocorrido para receber uma mensagem com tamanha reclamação!!! 


Demorei uns cinco minutos para perceber que havia um espaço grande depois dessa frase e a continuação de sua mensagem, que ele terminava assim: cara, vc é foda, amei , adorei, dormi com ele, fantástico....... e mesmo assim demorou para assimilar o restante do comentário ai mais tarde ainda consegui responder  meio que sem jeito , disse para ele : nossa, pelo visto vc gostou , né? e ele nem me respondeu mais, caraca .


E com isso estou sempre aprimorando os métodos de construção apesar de ser um trabalho que leva tempo por mais simples que seja o modelo. Pois o que empaca em um certo momento são os detalhes e acabamento que é o diferencial nesse trabalho. Antenas, trem de pouso em seu conjunto todo, medidas que não pode ficar fora do padrão, pintura que é essencial no modelo. Apesar de não ter nada que não seja essencial, pois nada pode ficar para trás. 


O uso de materiais de qualidade e resistentes para aquela peça que será construída, ângulo dessa ou daquela asa ou a empenagem. Enfim tudo que possa ser feito, tem que ficar conforme o modelo real e o principal é a atenção nas fotos, observar as curvas, os ângulos, as retas; Tudo aquilo que forma a aeronave como um todo  


A pintura é totalmente feita com o uso de mascaramento e aerógrafo  e quando necessária  feita a mão com pinceis  finos. Sempre realizando o trabalho o mais artesanal possível, sempre antes de terminar a pintura dou uma geral com uma lente de aumento para conferir as faixas e outros detalhes da pintura se não há nada que tenha ficado tremido ou algo assim. Após a secagem que é até rápida, pois geralmente são usadas tintas automotivas, é finalizada com verniz , todo esse processo desde a construção até a pintura vai de 8 a 12 dias ,mas isso depende de cada modelo.


Em 2019 tive que mudar algumas coisas na linha de construção das maquetes, aperfeiçoei a forma de construção. Pois as encomendas já estavam saindo do controle e já não conseguia dar conta. Então para a maioria dos modelos que mais vendem como Cessna 210, Corrisco , Sêneca e outros, tive que mudar para resina usando uma forma para elaborá-los. 


Foram três meses para conseguir descobrir a forma correta de misturar e aplicar a resina. Enfim, não foi fácil e até essa data, Setembro/2019. Vou iniciar os primeiros modelos com esse material, e sem perder o fino acabamento, os detalhes e a minha qualidade. 


A pintura ainda será toda feita sem aplicação de adesivos, pois o interesse não é produzir só para ganhar dinheiro, mas construir algo com essência, algo que realmente fique igual a aeronave real, sem formas grosseiras. Esse é o objetivo do meu trabalho. 


Vou reduzir o tempo de fabricação e ao mesmo tempo elaborar e com a mesma qualidade e perfeição. Agora já tenho um ajudante que me faz economizar uns 30 a 40 por cento de tempo em muitas coisas e a tendência é aumentarem breve a equipe se Deus quiser, e já está fazendo e encaminhamento para isso.


A perfeição do avião é trabalhoso demais, requer tempo e dedicação.  Mas vale a pena, hoje tenho encomendas de todos os estados do pais e de outros países também, com EUA, Espanha, Portugal, Chile e Inglaterra. Converso mais com pessoas pelo Face, Instagram e Messenger  do que com pessoas que estejam presentes. Porque o tempo é meu maior inimigo.


Apesar de muitos altos e baixos, demorei para emplacar a produção e levar mais a sério o trabalho. Um detalhe que faz parte da vida de qualquer um, seja lá o que você vai fazer são os pessimistas de plantão. Poucos te dão o incentivo necessário e isso atrasa muito a vida de qualquer pessoa. A indiferença é um problema sério quando você  está para fazer algo que as vezes não é tão comum em seu meio, mas como se diz nada que o tempo não resolva.


Também demorei muito para desenvolver novas técnicas como disse antes, em resina pois as encomendas já estavam em um patamar razoável. E a pretensão agora é sair do voo pairado e ir mais alto e irá sim, pois esse trabalho é colocado em consagração com o nome do nosso Senhor Deus, Amém.


Tudo começou em Mundo Novo no Mato Grosso do Sul, quando eu tinha uns oito anos de idade, meu pai havia sido contratado para fotografar nossa cidade de um avião e me levou junto para voar. Lembro de poucas coisas, pois tudo era novidade. E que novidades!!!!! Lembro que ficava tentando olhar pela janela no último banco do avião. Mas quase não via nada pelo lado de fora, eu era muito pequeno!!! Risos !!! 


E depois de algum tempo pousamos em uma cidade vizinha para abastecer.. Recordo de ter andado sobre a  asa de e ter sentado no assento do co piloto. Observei todos aqueles instrumentos. Vagamente lembro de estar  andado pelo pátio e de ter visto outras aeronaves.  Alguns anos depois comecei a admirar a gostar de aviões.


Na década de oitenta na minha cidade havia um aeródromo com um movimento razoável de aeronaves de pequeno porte e o barulho dos motores chamavam a minha atenção e os pilotos passavam quase tocando o teto das casas. Isso era espetacular. Alguns passavam tão baixo sobre a cidade que dava para ver se o piloto tinha bigode ou não. 


O pior ou melhor que praticamente chamava cada vez mais a  minha atenção  aos poucos comecei a visitar mais o aeródromo que naquela época era aberto e podia entrar e tocar na aeronave e quando vinha o governador e sua comitiva era a maior comemoração. Eram de cinco a nove aeronaves juntas e a minha festa estava garantida.


Naquela época toda vez que aterrissava  uma aeronave eu partia para lá de bicicleta como um doido.As vezes ao chegar lá o avião já tinha ido embora ou ainda via ele decolando , em seguida voltava para casa murchinho ,rsrsr.  Mas quando a aeronave ficava lá durante algumas horas, olhava tudo o que dava e quando algum piloto também tinha que ficar esperando o passageiro retornar ficávamos conversando. Alguns até deixava sentar no banco do co piloto e mostrava o painel e como funcionava, nossa para mim isso era coisa de outro mundo.


Certa vez aconteceu algo inesperado, um piloto  ele disse: estamos indo para Eldorado deixar um passageiro, que é uma cidade vizinha de onde eu moro, fica  uns 18 km por estrada, e em seguida partiria para Campo Grande e isso já era umas 17:00 horas, caso você (eu no caso ) queira ir junto ai você dá um jeito de voltar. Nossa aí o pânico pegou estava de bicicleta e a mente nisso tomou rumo ignorado, risos resumindo, deixei a bike um matagal próximo e esperei o passageiro retornar. Nem pensava nas consequências de como iria voltar para casa. 


As 17:40 mais ou menos e a tarde já estava indo embora  até que o passageiro apareceu e o piloto conversou   com ele e explicou se ele não importava se eu pegasse uma carona até aquela cidade e explicou o motivo e o rapaz disse tudo bem. Nossa ai o coração bateu 300 vezes por segundo. Entrei na aeronave, um seneca , aporta fechou o piloto fez toda a preparação  deu partida dos motores ai mais ainda pensei, meu Deus onde fui me meter, mas rapidinho as preocupações sumiram o avião começou a movimentar e pela janela via o tempo começando a turvar.


O piloto alinhou a aeronave na pista e acelerou nossa que coisa fantástica que sensação indescritível tentei curtir ao máximo, mais ou menos de 3 ou 4 minutos depois a tristeza, e já estava pousando na cidade vizinha, meu que rápido que foi.  Pousamos ai o camarada que estava para ficar na cidade deu uma carona até a rodovia que ficava uns 2 km do aeródromo e lá fiquei contando com a sorte de pegar uma carona. Depois de 10 minutos apareceu um Senhor  e sua esposa,  ai deram uma carona até minha cidade.  


Pedi para parar próximo ao aeródromo que ficava na entrada da cidade , nisso já estava escuro e quase sem ver nada fui atrás da bike, já com medo de que alguém tinha levado embora, mas lógico não, graças a Deus tava lá. Senão ia ser duas surras uma pela aventura e outra pela bike e nisso tudo demorou alguns longos anos para eu contar para minha família o que tinha ocorrido.  Mesmo assim apesar do ato talvez não pensado, valeu a pena.


 Assim com o tempo fui amadurecendo o gosto pela aviação, comecei a juntar fotos e recortes de aviões. Logo vieram as revistas e  mesmo assim quando ouvia o motor roncando de uma aeronave corria para cima de casa para cuidar se ele iria pousar. Assim que percebia o trem de pouso baixando eu pegava a bicicleta e partia para o aeródromo que ficava uns 5 km de casa. Cheguei a ir três vezes durante um dia, pensa nessa cena !!!. 


E com nove e dez anos mais ou menos já vinha aumentando cada vez mais o interesse pela aviação. O que eu podia fazer era ver apenas pessoalmente e  e estar bem próximo as aeronaves. E claro tinha minha coleção de fotos, recortes revistas, etc. Enfim, mas nessa época já imaginava em ter algum modelo de avião perfeito em miniatura!!!


Havia uma banca de revistas que descobri que ela vendia revistas de aeronaves, nossa , chegava a ir até 3 vezes por semana para ver as capas. Naquela época acho que tinha umas 4 ou 5 tipos de publicações diferentes,  como eu sabia onde ficava a sessão de revistas de aviação eu ia direto e nem olhava para o lado para ver.  Eu ficava fissurado , pegava alguma das publicações e olhava como se aquilo fosse algo de outro mundo, era fantástico, belo, reluzente novo, lindo ...............


Pois era o que tinha na época , bem diferente de hoje em dia, e onde eu quero chegar eu não me continha ficava cego para o redor e quando via a capa e ou começava a folear a revista eu dizia em tom baixo; nossa ,nossa, ooolhhhaaaa issso , oooolhhhaaaa  affffff, ummmnosssaaa, algumas pessoas vinham por trás ao perceber o entusiasmo ,para ver o que eu estava tão empolgado nisso eu me continha um pouco as vezes eu saia sem ar e com o coração batendo a mil só por ver as capas ou as revistas inteiras, nossa que prazer, que satisfação que alegria.


Pois ainda era novidade nesse campo e fazia misérias para conseguir comprar as publicações não queria perder nenhuma, mas nem sempre dava. Se for perguntar para o dona da banca,hoje , como eu era na época ainda ela pode confirmar, nossa como uma coisa tão simples, algumas folhas de papel podia deixar tão vidrado tão entusiasmado assim, nossa que bom que foi aquela época.



Quando criança eu imaginava uma miniatura real, como se colocasse o avião real dentro de uma máquina mágica e a reduzisse  no tamanho desejado. Pois naquela época existia apenas alguns brinquedos que pareciam avião ,mas só pareciam, risos. E foi nessa época que tive a ideia e iniciativa de construir a minha primeira maquete. 


Peguei  algumas chapas de  madeira de uma caixa de tomate fiz o desenho lateral de um avião  imaginário, no caso duas laterais iguais para formar a fuselagem ficando aquela coisa quadrada, e a asa apenas uma chapinha de pinos e pintei de marrom que era a tinta que tinha por perto. Nossa !!!! Pensa numa criança feliz,  faceira e realizada  por ter construído um avião, risos.


 
O tempo foi passando e a paixão cada vez mais aumentando. Sonhando, imaginando, fazendo planos e etc. Tudo já voltado para a aviação. Com doze anos comecei a desenhar, até que depois de um certo tempo fazia desenhos em cartolina com algum tema alusivo a uma data comemorativa  por exemplo dia do aviador, dia da aviação, de caças, entre outras . 


Colocava no mural do pátio da escola, de longe ficava observando os alunos passando e parando para ver o trabalho, muitas vezes  pendurava o trabalho no mural sem ninguém saber que era eu para ver a reação delas. Pois já estava em um nível até bom  nos desenhos, por fim fiquei conhecido pelos desenhos.


Então tive a ideia de tentar fazer um avião sofisticado de alguma forma, algum modelo.Trabalhei com o isopor e sempre procurando algum material diferente que fosse fácil de moldar, mas sem muita pressa  era apenas um passa tempo. Também tive uma ideia de colecionar objetos, mandava cartas para empresas de aviação,  pedindo revistas e fotos. Cheguei mandar umas 20 cartas em um mês e quando chegava pelo correio algum envelope, nossa,  pensa na felicidade, que tempo bom. 

Naquela época sem internet tinha que ser por carta, escrever uma por uma, comprar o envelope e o selo e colocar nos Correios e esperar semanas para talvez um retorno.  E desta forma fui conhecendo mais e mais sobre a aviação em geral. Tenho praticamente todas as fotos e revistas que comecei a colecionar até hoje. Atualmente são mais de 1 200 revistas, centenas de fotos e milhares de recortes de revistas e jornais e outros.


Na sétima série, participei de uma feira de ciências com o tema a "física do voo" e lá ocupei  duas paredes da sala de aula com vários temas sobre aviação. Claro com fotos, várias revistas e três maquetes de 60 a 80 cm de comprimento feitas com isopor e revestido com papel cartão sendo um P-47,  um 14 Bis e um Bell  Cobra. Mesmo não dominando as técnicas de fazer em miniaturas isso rendeu convite para realizar outras duas apresentações em feiras de ciências nas cidades de Campo Grande MS e Foz do Iguaçu PR . 


Tudo isso só aumentava o desejo pela aviação e isso era todos os dias. Dentre muitos outros fatos e pensamentos  corriqueiros nesse período, voltado a esse tema, procurei a aprimorar as técnicas de  construção das maquetes  Aliás , tentar faze-las menores , mas isso só foi mudar e ainda aos poucos



Na feira em  Foz do Iguaçu que foi patrocinada pela ITAYPU em uma escola naquela cidade, depois de dois dias de feira, fomos levados até o parque nacional  de foz para conhecer  o  parque . Quando na época o heliponto ainda era ao lado das cataratas. Estávamos ali de frete as uma das sete maravilhas do mundo observando aquelas enormes cachoeiras um sol de estralar mamona quando bem longe ouvi o som de um helicóptero. 


Então minhas anteninhas se ligaram, já estiquei o pescoço tentando achar de onde vinha aquele som e com isso o som só aumentava e eu doido quando que de repente um HB 350 esquilo surge do meio da mata de onde eu estava e passa devagar a uns 80 =100 metros na minha frete preparando para pousar no meu lado uns 50 metros pois ainda não tinha percebido o heliporto  que estava ao minha direita.


Noossaaa Senhooraaaa que tribulação foi aquela, já não queria sair mais da li, algum tempo depois a professora de ciências que estava monitorando o grupo de estudantes foi até um funcionário do parque  e perguntou se tinha como deixar aquele aluno, apontando para mim , voar de helicóptero ai mostrou a papelada do evento e disse que eu era apaixonado por aviação e que estava ali fazendo um feira de ciências  com o tema de aviação e eu ali sem graça de tudo, pensei comigo , acho que jamais vão deixar eu voar em um helicóptero de graça e não é que deu certo eles liberaram o passeio. 



Jesus,  nem podia imaginar, na época era cobrado 40 reais por 10 minutos de voo  e eu durinho durinho. Imagina se não fosse a chorada da professora ia ficar só olhando. Foi ai que pela segunda vez voei,  que fantástico , se eu pudesse não descia tão cedo, afff. ai sim valeu a pena todo aquele trabalhão da exposição.


Aos 23 anos fui realizar um curso em Navirai no Mato Grosso do Sul e um amigo me levou ao aeroporto, dizendo que ali havia um pessoal que fazia  aviões de madeira,. Eu nem imaginava o que me esperava. Quando cheguei, o meu queixo e o resto da boca caíram !!!!  Haviam muitas maquetes. Algo até então que eu nem imaginava que pudesse existir. Eu nem sonhava o que seria uma maquete profissional e com aquele acabamento!!! Eles faziam  sob encomenda, fiquei tonto de ver aqueles modelos. 


Eu  nem podia comparar a alguma coisa  de tão abestado que fiquei. Comprei um modelo deles um Seneca 3 com faixas azuis e vermelha. Nossa, para mim uma carreta carregada de ouro não tinha tanto valor quanto aquela maquete . Mais uma vez, havia recebido outro incentivo para me aprofundar nesse novo mundo que me abria da noite para o dia. Aprofundei meus estudos em desenvolver outros métodos e adquiri algumas ferramentas para ver se conseguia desenvolver algum modelo novo com aqueles requintes de perfeição.



Todo início é difícil, emprestando ferramentas e comprando outras. Praticando e com isso tinha dezenas ou centenas de dúvidas surgindo cada vez mais. E o pior sem tem a quem perguntar: Como colar a asa com a fuselagem?  Que material certo devia usar? Que tipo de massa usar?  Como fazia isso e como fazia aquilo?  Pois não queria perguntar para aquele pessoal do aeroporto que já produzia para não ficar chato.


 Pois meu curso na cidade iria levar seis meses. Até que um dia tive a brilhante ideia de desvendar algumas dúvidas. Tive a coragem de quebrar, cortar  abrir a maquete que eu tinha comprado deles. Foi então que comecei a dar uma melhor firmeza nas junções de asas e estabilizadores. 


Conforme as condições permitiam eu ia comprando as ferramentas necessárias e sempre que possível construindo e elaborando métodos para concluir e facilitar cada modelo. No período de elaboração dos modelos eu morava com a minha mãe e no fundo do quintal havia uma fossa e lá era o destino dos modelos que não davam certo ou que não ficava como eu queria. No final das contas, até o dia que realmente comecei a acertar os modelos deveria ter mais de 50 maquetes no fundo dela, mas tudo isso fez parte do processo de aprendizagem, risos.


Em 2012 comecei a notar que os modelos já estavam muito bonitos, com uma boa apresentação e com qualidade e cheguei a vender quatro modelos para alguns amigos. Foi quando tive a ideia de fazer uma exposição aqui na minha cidade, em alugar um salão por três dias para expor o material. Com isso surgiram várias ideias, além das maquetes, eu iria expor temas relacionados com a aviação em geral, história,  pinturas, motores, etc. 


Vários tópicos sobre a aviação mostrados em vídeos e fotos que na época e ainda hoje era o que mais eu tenho. Passei quase um ano planejando como eu poderia expor tudo isso. Planos, planos e mais planos. E a ideia era expor uns 20 modelos, mais tarde passou para 30 cada um diferente do outro. Quando eu já estava na construção da 23º aeronave  a minha irmã chegou viu tudo aquilo e simplesmente falou:  "imagina postar isso no face, ainda mais que em dois meses é dia das crianças, vai vender tudo !!!!!"



A rasteira foi certeira, eu já estava com essa ideia de colocar nas mídias, mas só depois de expor os trabalhos como eu planejava. Acabei vendo que não compensava gastar tanto para fazer uma exposição que no final não renderia muita coisa apenas as pessoas saberiam que na cidade havia alguém que fazia maquetes e nada mais. No dia seguinte fiz a página no facebook. Coloquei algumas fotos de alguns modelos já pintados e outros não. 


Acho que demorou quase 5 dias para elaborar algo que não fosse sem graça, mas simples e focar nas pessoas chaves.  Três dias após  recebi algumas poucas curtidas e surgiu a primeira encomenda, um RV 10 preto com faixa verde limão. "Nossa", nem acreditei, nem sabia como lidar com o cliente, mas no final deu tudo certo e dai em diante aos poucos foi surgindo novos clientes, na primeira semana foram 3 encomendas e daí em diante a coisa fugiu do controle.


Os comentários sempre me entusiasmaram. São o combustível para cada vez mais aprimorar o modo de elaboração do trabalho. No início quando tinha que fazer o trabalho grosso como cortar  e lixar  a madeira, era em baixo de uma árvore de mexerica no fundo do quintal de casa ao céu aberto. Algumas ferramentas eu colocava em uma mala, levava e trazia para dentro de casa todo o dia.  O acabamento e a pintura era em um quartinho nos fundos de casa. 


Em  poucas semanas tive que fazer uma cobertura em madeira e com chão batido mesmo e não demorou muito para o local com  2 x2 metros ficar cheio de ferramentas, madeira e poeira que ficava depositada em todos os cantos com meu trabalho. A variedade de modelos encomendados era enorme desde aeronaves civis e até militares. Cada postagem rendia em média sete encomendas. Haviam clientes encomendavam uma, duas e até três modelos ao mesmo tempo.


Houve um cliente que encomendou treze modelos. Demorei mais de um ano para entregar todos. Combinei que não poderia fazer de pronta entrega e parar todas as outras encomendas e o ritmo do meu trabalho. Felizmente nunca houve reclamação por nenhum cliente por ter sido mal feito ou algo parecido apenas sugestões e elogios. Houve um cliente encomendou um Cessna 172,  ele não falava muito, sendo simples e direto, falou apenas o necessário. 


Até que enviei a maquete para ele. Dias depois recebo uma mensagem no whats dele dizendo "VC É UM FDP"   e não havia mais nada depois disso!!! Na hora que li aquilo perdi o chão, pensei meu Deus será que mandei um gato morto e nem percebi, risos!!! Será que troquei o modelo? Será que quebraram ou roubaram a maquete ? 


Fiquei apavorado!! O que poderia ter ocorrido para receber uma mensagem com tamanha reclamação!!! Demorei uns cinco minutos para perceber que havia um espaço grande depois dessa frase e a continuação de sua mensagem, que ele terminava assim: cara, vc é foda , amei , adorei, dormi com ele, fantástico....... e mesmo assim demorou para assimilar o restante do comentário  ai mais tarde ainda consegui responder  meio que sem jeito , disse para ele : nossa, pelo visto vc gostou , né? e ele nem me respondeu mais, caraca .


Os modelos são feitos por ordem de chegada, a pessoa faz a encomenda e conforme vou construindo os modelos naturalmente a fila vai andando. Apesar que hoje em dia o tempo de espera pode chegar de 10 a 15  meses e mesmo assim há uma a duas desistências por mês, principalmente por perca de contato que é normal. 


Existem clientes que encomendaram oito modelos de uma vez só, um para cada modelo de avião que ele voou durante sua vida, é a forma que a pessoa tem de ter  lembranças de sua vida profissional como piloto.  Existem casos que a pessoa não tem nenhuma foto do modelo então eu vou pesquisando pelo prefixo da aeronave e consigo encontrar a foto ou vídeo da aeronave. Outras vezes trazem fotos bem ruins, mas tenho que dar um jeito de identificar os detalhes para fazer o mais próximo possível e antes de enviar mando as fotos em vários ângulos para ver se está tudo OK.



A minha realização como profissional é inexplicável ao sentir a felicidade do cliente quando recebe sua maquete, porque ele fica feliz de uma forma o ver seu avião que nunca imaginou que conseguiria ver novamente, nem que fosse em forma de uma maquete ,nesse caso as reações são as mais diversas e inusitadas .


Cada modelo tem uma certa dificuldade diferente. As vezes um é mais simples por ter menos detalhes. Outro é mais complexo por ter curvas ou ângulos mais acentuados. Porém o mais demorado é quando se tem 3 ou 4 modelos iguais para fazer no caso foi uma esquadrilha composta por 4 t 6 do EDA da década de 1950.  Porque os detalhes, medidas  e a pintura tem que ser igual  em todos os detalhes. Logicamente, nesse caso o trabalho redobra em todos os aspectos. 



E com isso estou sempre aprimorando os métodos de construção apesar de ser um trabalho que leva tempo por mais simples que seja o modelo. Pois o que empaca em um certo momento são os detalhes e acabamento que é o diferencial  nesse trabalho. Antenas, trem de pouso em seu conjunto todo, medidas que não pode ficar fora do padrão,  pintura que é essencial no modelo. Apesar de não ter nada que não seja essencial, pois nada pode ficar para trás. 


O uso de materiais de qualidade e resistentes para aquela peça que será construída, ângulo dessa ou daquela asa ou a empenagem. Enfim tudo que possa ser feito, tem que ficar conforme o modelo real e o principal é a atenção nas fotos, observar as curvas, os ângulos, as retas; Tudo aquilo que forma a aeronave como um todo  


A pintura é totalmente feita com o uso de mascaramento e aerógrafo  e quando necessária  feita a mão com pinceis  finos. Sempre realizando o trabalho o mais artesanal possível, sempre antes de terminar a pintura dou uma geral com uma lente de aumento para conferir as faixas e outros detalhes da pintura se não há nada que tenha ficado tremido ou algo assim. Após a secagem que é até rápida, pois geralmente são usadas tintas automotivas, é finalizada com verniz , todo esse processo desde a construção até a pintura vai de 8 a 12 dias ,mas isso depende de cada modelo.


Em 2019 tive que  mudar algumas coisas na linha de construção das maquetes, aperfeiçoei a forma de construção. Pois as encomendas já estavam saindo do controle e já não conseguia dar conta. Então para a maioria dos modelos que mais vendem como  Cessna 210, Corrisco , Seneca e outros, tive que mudar para resina usando uma forma para elaborá los. 


Foram três meses para conseguir descobrir a forma correta de misturar e aplicar a resina. Enfim, não foi fácil e até essa data, Setembro/2019. Vou iniciar os primeiros modelos  com esse material, e sem perder o fino acabamento, os detalhes e a minha qualidade. 


A pintura ainda será toda feita sem aplicação de adesivos,  pois o interesse não é produzir só para ganhar dinheiro, mas construir algo com essência, algo que realmente fique igual a aeronave real, sem formas grosseiras. Esse é o objetivo do meu trabalho. 


Vou reduzir o tempo de fabricação e ao mesmo tempo elaborar e com a mesma qualidade e perfeição. Agora já tenho um ajudante que me faz economizar uns 30 a 40 por cento de tempo em muitas coisas e a tendência é aumentarem breve a equipe se Deus quiser, e já está fazendo e encaminhamento para isso.


A perfeição do avião é trabalhoso demais, requer tempo e dedicação.  Mas vale a pena,  Hoje tenho encomendas de todos os estados do pais e de outros países também, com EUA, Espanha, Portugal, Chile e Inglaterra. Converso mais com pessoas pelo Face, Instagram  e Messenger  do que com pessoas que estejam presentes. Porque o tempo é meu maior inimigo.


Apesar de muitos altos e baixos, demorei para emplacar a produção e levar mais a sério o trabalho. Um detalhe que faz parte da vida de qualquer um, seja lá o que você vai fazer são os pessimistas de plantão. Poucos te dão o incentivo necessário e isso atrasa muito a vida de qualquer pessoa. A indiferença é um problema sério quando você  está para fazer algo que as vezes não é tão comum em seu meio, mas como se diz nada que o tempo não resolva.


Também demorei muito para desenvolver novas técnicas como disse antes, em resina pois as encomendas já estavam em um patamar razoável. E a pretensão agora é sair do voo pairado e ir mais alto e irá sim, pois esse trabalho é colocado em consagração com o nome do nosso Senhor Deus ,Amém.


Enfim, caso queira observar os modelos em detalhes visite no facebook pietromaquetes e confira  alguns modelos que estão expostos em várias fotos para cada modelo. 



Junior Hamilton
Acabei de receber meu King GTx feito por ele! Ele e artista mesmo! Recomendo!

Carlos Andrade
Perfeito...
parabéns
..artista

Edie Franklin Azeredo Machado
Parabéns
 Pietro!!! Muito capricho em suas maquetes, riqueza de detalhes, muito bacana. Bela história com muito capricho e talento, 
parabéns
!!!



Isola Hinkeldei
Legal gostei

Leandro Ribeiro
Que bela história ainda preciso ler até final. Meus 
parabéns
 quanto as maquetes dispensa comentários.