sábado, 27 de fevereiro de 2021

ENTREVISTA XUXA - BALÃO Wilson Bitencourt





Dia dia de voo é um dia espetacular, tudo é diferente. Atualmente meus passeios são realizados nos fins de semana. Chego a esperar a semana toda passar. Tudo na expectativa de acordar as quatros da manhã para iniciarmos os preparativos. Tudo com a tranquilidade e segurança que o voo de balão exige. Balonismo apesar de ser uma coisa linda e espetacular para quem olha aqui de baixo e para os passageiros, exige do piloto e de toda a equipe de apoio muito profissionalismo e competência. E lá em cima temos que proporcionar as duas coisas, um voo com segurança com lindas paisagens, momentos inesquecíveis para quem estiver voando. Tem que valer a pena a sensação para quem está voando.


O check-in é pontualmente realizado às cinco da manhã, para não perdermos o melhor momento do voo. E o relógio não para. Se nos atrasarmos iremos perder o momento sublime e espetacular: o nascer do sol. É um momento único num voo. Não tem como repetir ele no mesmo dia. Decolamos pontualmente para isso entre 05:15 a 05:20 para pegarmos o nascer no sol voando entre as nuvens. Esse momento é mágico, é surreal, é fantástico. Quem tiver a oportunidade de ver esse momento jamais esquecerá.


Na minha infância eu sempre gostei de brincar com coisas diferentes de outras crianças, curiosamente com brinquedos que voavam, como balão de papel, de helicóptero, de avião. Com os anos meu hobby foi criar e colecionar balão de papel. Então para partir pro balonismo, foi um pulo. 


Para aprender a pilotar balão não foi algo planejado. Eu tinha um amigo Luís Silvestre que estava se formando na época como piloto. Eu dava um jeitinho e largava meu trabalho em São Paulo e ia com ele assistir as aulas de balonismo. E cada vez mais eu ficava deslumbrado com tudo aquilo. Depois comecei a acompanhar eventos de balonismo. Era só saber que em tal cidade haveria algum evento, que eu pegava o carro e me mandava para poder aprender aos poucos algumas coisas. Com o tempo o pessoal começou a me conhecer melhor e me convidar a fazer equipe. 


As coisas não foram fáceis, porque não sendo rico, tinha que priorizar e economizar. Tenho família e é difícil você investir dinheiro em algo como o balonismo em detrimento da família. Então devagarzinho virei piloto. Depois consegui meu pequeno balão. Hoje meu maior projeto, que devo concretizar nos próximos meses é ter um balão de até doze passageiros, e consequentemente divulgar mais os voos aqui na minha região e se o Brasil todo me chamar eu estou voando, porque não?


Também sou artista plástico, faço desenhos, faço pinturas. Assim não dependo só do balonismo. E no mundo atual não podemos depender só de uma profissão. Temos que ser dinâmicos, porque o mercado é rápido demais. As pessoas tem que ter a flexibilidade, inteligência e disposição de se reinventar cada vez mais. Esses dias li uma matéria de um comandante que agora na pandemia está pilotando um ônibus urbano, e porque não? Temos que sempre nos reinventar. 


Também sou Marido de Aluguel quando surge alguma oportunidade, já que tenho esta habilidade porque não aproveitar ela também? São pequenos serviços, mas que a maioria das pessoas não tem tempo, não tem ferramentas ou nem saberiam como fazer. Coisas como trocar uma válvula hidro, troco chuveiro, resolvo pequenos vazamentos. E assim, vamos ganhando nosso pão de cada dia.


Eu tenho muita vontade ainda de ser piloto de helicóptero. Só que é muito caro para tirar o brevê. Ainda não estou nessas condições financeiras, mas tenho a certeza que tudo terá seu tempo, e com certeza da mesma maneira que consegui realizar o sonho de ser piloto de balão também irei pilotar um helicóptero. Não podemos desistir de nossos sonhos. Eles são nossas esperanças. 


Meu batizado de balão foi com Água, Terra, Ar e Fogo. Risos. Porque tacaram terra na minha cabeça, depois tacaram agua na minha cabeça ao redor do Ar e do fogo. É uma cerimônia para realizar a  nossa formatura. Sei que o pilotos de avião recebem o batizado de óleo diesel. Como quero ser piloto de helicóptero acredito que também seja de óleo diesel. Ou quem sabe de champanhe. Risos.


A profissão de piloto de balão é paradoxal. Porque você não pode depender exclusivamente dela. Por exemplo você normalmente não tem clientes nos dias de semana. E nos fins de semana e feriados também vai depender das condições climáticas, lembrando que estamos no Sul do Brasil, que é diferente de São Paulo que praticamente acredito que pode-se voar muito mais que aqui. 


Por isso que eu tenho outras atividades acessórias profissionais, porque se fosse viver somente do balonismo as coisas seriam muito difíceis. Muitos amigos e familiares respeitam e compreendem a minha profissão. Outros tem dificuldade de entender. Meu próprio pai acha que isso é um hobby ou lazer. Não posso negar. Eu amo todas as minhas profissões. Posso dizer que sou uma pessoa realizada. 


Então eu faço com  amor. E você gostando e fazendo com amor o trabalho ele se torna gratificante. O balonismo é cansativo, precisa disposição, precisa logística, precisa força física. Mas o amor supera tudo. Então aqueles momentos da magia lá em cima passa muito rápido. Cada vez que eu voo. A magia é como se fosse a primeira vez. Porque são novos passageiros, novas emoções, novos sorrisos, novas alegrias, novas histórias. E cada passageiro tem uma história diferente da outra. E um voo que eu goste de fazer, não tem nem como eu explicar muito. 


De ver no rosto da criança o encanto da novidade não tem como explicar. De ver no rosto de um casal idoso o deslumbre da descoberta da novidade aos 50, 60 , 70 ou 80 anos não tem o que se falar. Então eu amo muito a minha profissão. Tanto o balonismo, quanto meus desenhos que eu faço porque sou artista plástico, e gosto também, porque não dizer de resolver os problemas das pessoas como marido de aluguel.


Existem coisas que são difíceis de serem explicadas, por exemplo eu amo estar dentro de um balão lá em cima entre as nuvens e sentir o vento e a brisa batendo em meu rosto, me sinto livre e solto. Mas paradoxalmente tenho medo de estar parado num patamar de um prédio e ficar olhando para baixo. Você acredita nisso? 


Enquanto que eu subo a dez mil pés tenho total segurança. Isso é incrível. Eu amo muito voar, principalmente levando passageiros e podendo compartilhar essa magia que é um voo de balão. Muitas vezes transporto passageiros que nunca sequer voaram de avião, então eles nunca tiveram a oportunidade de ter a visão da cidade lá de cima. 


Nunca imaginaram como seria de verdade ver ruas, casas, carros, bairros inteiros, florestas lá das nuvens. Nem estou falando da explosão de alegria que é poder ver o por do sol com outra ou de estar entre as nuvens. As crianças ficam fascinadas, os avôs chegam a chorar de emoção, até os adultos não conseguem esconder a emoção de poder estar fazendo parte naquele momento desse espetáculo diferente. São coisas que só quem estiver lá em cima pode saber. Isso é inimaginável para quem nunca voou.



É maravilhoso você ver a alegria das pessoas de sair do chão, porque não é uma coisa para vários. A pessoa se planejando a pessoa consegue. É muito gratificante. Depois que você pousa o balão o pessoal vem te elogiar, vem te agradecer por aqueles momentos maravilhosos e inesquecíveis que passaram lá em cima. Os passageiros querem me fotografar com eles e com o balão, para eternizar aquele momento. Isso tudo é muito gratificante.


Um dos melhores voos da minha foi foi a matéria que fizemos com o pessoal do Globo Repórter nas Cataratas do Iguaçu, não tem nem explicação da sensação que foi esse voo, foi ótimo. Eu fui o único piloto do mundo que realizou esse voo da maneira que eu fiz. Nenhum outro piloto conseguiu pousar o balão onde eu pousei no vale e passando próximo as quedas da água. Mas não por onde eu passei. Eu fiquei radiante quando soube que eu realizaria esse voo, foi minha realização profissional, foi meu auge profissional e pessoal. 


Imaginem eu realizar um voo para a televisão, e para a Rede Globo, para um documentário do Globo Repórter. Inicialmente eu pensei que só faria apenas o voo para a tiragem das imagens. Que nada, daqui a pouco eu já estava fazendo parte da história. Mas só acreditei mesmo, quando reunido com a família em casa assistimos o programa e o nos dias seguintes foi aquele alvoroço, todo mundo falando da mesma coisa, virei pop star. O voo foi espetacular.


 Expliquei a todos a bordo que que o vento trabalha por camadas lá em cima. Conforme a altitude ele tem correntes de velocidade e direções diferentes. Todos eram passageiros de primeira viagem de balão. E olha só, foram fazer sua primeira viagem num balão nas Cataratas do Iguaçu, que tem mais de cem quedas d' água. Ali no Marco das Três Fronteiras, que é formado pelo Brasil, Argentina e Paraguai. Passaram pro cima. Expliquei que a palavra Paraná significa na língua Tupi "parecido com mar". 


E é exatamente isso que você sente quando está lá em cima, aquela imensidão de água. Água para tudo que é lado, descendo de dezenas e dezenas de cachoeiras e cataratas. Até chegar na Queda da Garganta do Diabo e para completar todo esse quadro da natureza surge ao fundo um lindo e enorme arco íris. E nós numa velocidade bem lenta, a quatro quilômetros por hora, é como se estivéssemos em câmera lenta ou parados no ar. E ao lado daquela imensidão de água, temos o Parque que é outro mar verde de florestas. 


Raramente o pessoal deixa cair alguma coisa lá de cima. Mas uma única vez um passageiro deixo cair um celular. Mas deu sinal, e foi possível resgatar ele com o sinal do GPS. Já aconteceu uma ou duas vezes no pouso com um vento muito forte o pessoal se descuidar e o celular ou a câmera sair voando, mas se o pessoal seguir nossas instruções que passamos antes da decolagem não tem problema não. Tudo é questão de seguir os protocolos que passamos aos passageiros antes do embarque.


Um dos episódios mais marcantes foi um pedido de casamento nas alturas. Decolamos normalmente, ninguém sabia de nada. Quinze minutos de voo. O rapaz pegou uma aliança do bolso e começou a falar e eu filmando porque ele havia me pedido para filmar. Então ele fez o pedido "Você quer casar comigo?" E a moça respondeu: "Eu já lhe falei que eu não quero casar com você! Eu não sei porque você insiste em fazer tudo isso!"


 Eu ali filmado a cena, fiquei sem reação, fiquei sem graça. Eu quis pousar o balão e o rapaz disse:  que não,  que era para continuar o passeio normalmente. Eu sou sincero eu perdi o rebolado. Agora imagina o rapaz fazendo tudo aquilo!!! Ou a moça naquela situação!!! Porque lá de cima não pode simplesmente virar as costas e ir embora. Que situação constrangedora.



Eu tento pousar sempre em um local de fácil acesso para a equipe de apoio nos receber de forma tranquila, e preferencialmente também em local que não seja propriedade privada. Sempre procuro plantação aberta, já colhida, para evitar problemas com os proprietários. 


Tenho muita vontade de participar de um Campeonato Brasileiro de Balonismo, mas se você não tiver um patrocinador os custos se tornam inviáveis para qualquer planejamento. A logística é muito cara. Vai desde o deslocamento do balão, estadia, alimentação sua e no mínimo mais uma ou duas pessoas. Assim, é um sonho de todo o Balonista poder uma vez na vida colocar seu balão num campeonato Brasileiro. Já tive a satisfação de ser Campeão Sul Americano Brasileiro de Balonismo 



O que eu digo para essa juventude e para essa criançada é que nunca desistam dos seus sonhos. Nunca. Porque quando você pensa que não vai conseguir, vem uma pessoa, vem DEUS, e te empurra de novo e te diz "Vai que você consegue!!"  Nunca desista dos seus sonhos.




Eu agradeço muito a Deus por tudo que conquistei. Minha esposa e filhos pela família que temos. Aos meus pais pela criação que recebi.  Meu eterno agradecimento ao Luís Silvestre que cedeu meu primeiro balão. Minha gratidão ao Carlinhos, o Johnny do Balão, ao Luís Paulo e o Luís pelas suas contribuições para o meu brevê.













Show de caminhada


Ada Balonismo
Grande Xuxa





quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

José Antônio: Hobby, Sustentabilidade e Criatividade ao Reciclar

 


Contato para Encomendas de Projeto:
Whats: (12) 981925327
Face: https://www.facebook.com/joseantonio.araujo.3998


Mais uma matéria do blog. Outra pessoa, que tem criatividade, e num simples olhar seu, consegue imaginar o que nós mortais não temos a capacidade de enxergar. Praticamente utilizando como matéria prima, apenas o papelão. Tem a maestria de construir verdadeiras obras de arte. Mais do que isso, observa um local sem uso e tem a facilidade de visualizar ali um novo ambiente muito mais agradável e integrado para as pessoas. Já são mais de dez "JOSÉS" que encontrei. Cada um com sua história. São invisíveis para a grande massa da população. Mas estão aqui no nosso meio fazendo seu papel de formiguinha de reciclar e com isso ganhando o seu pão do dia a dia. Meus Parabéns a vocês pela criatividade e história. Vocês são a diferença de nosso mundo.


Meu nome é José Antônio de Araújo, nasci em 16/01/1976. Sou monitor de obras em São José dos Campos, não sou casado, mas namoro uma pessoa há alguns anos Tenho o ensino médio completo e o médio Técnico completo no curso Técnico em edificações. Cheguei a fazer um semestre e meio na FATEC no curso superior de Manutenção de Aeronaves, mas acabei não me adaptando nas aulas online e tranquei a matrícula.

Minha infância,  como a de muitos que viviam na pobreza,  foi marcada por muitas dificuldades. Porém tínhamos nossas diversões que amenizava um pouco nossa situação. Minha adolescência foi muito tranquila e uma de minhas frustrações foi não ter conseguido servir o Exército. Mas nesse tempo acabei descobrindo que levava algum jeito para desenhar e comecei além de desenhar no papel, pintar camisetas com pincel e tinta pra tecido. Cheguei a vender algumas unidades, porém acabei desistindo pelo pouco valor que as pessoas davam a arte. Cheguei a fazer algumas esculturas também, mas sem fins comerciais. 

Agora, as maquetes foi uma coisa bem recente que aprendi a fazer. Tudo começou com um curso Técnico em Edificações que fiz no Cephas. Como o curso ensinava a fazer maquetes e essa era uma das atividades do TCC, eu e meu grupo resolvemos fazer uma maquete de um estúdio de tatuagem com barbearia. Não tinha um veículo na escala 1:50 pra colocar no estacionamento e um colega me deu um macete para fazer em papelão, tinha os links dos vídeos e tudo. 

Mas como ele estava fazendo alguns veículos eu resolvi radicalizar e coloquei logo um tanque de guerra. Eu inventei o design, apenas foi baseado nas dimensões do T34 Russo de guerra. Então, imagina um tanque soviético num estacionamento de uma barbearia? Que radical !!! 

As pessoas olhavam, e perguntavam o que tinha a ver um tanque de guerra ali e minha resposta vinha rápido: tem tudo a ver com SUSTENTABILIDADE, pois era um dos quesitos do projeto. Esse tanque eu falei que teria condições de fazer com as sobras da obra e até em escala real! Isso foi em novembro de 2017. Eu não virei um técnico em edificações, mas o que descobri o que era capaz de fazer enquanto confeccionava a maquete junto com meus colegas foi crucial pra eu colocar em prática outras ideias. Também fiz um jipe e um triciclo. 

Na verdade sou bem novo nesse tipo de atividade, mas minha paixão por aeronaves vem desde moleque. Quando tive meu segundo emprego fixo como Office boy em meados dos anos 90, quase todo mês comprava um exemplar da revista "Tudo sobre aviões de combate", que vinha junto de uma fita VHS. Desses exemplares eu comecei a entender um pouco mais sobre o assunto e meu amor por aviões  se deu mesmo quando comecei a comprar exemplares de revistas sobre aviões da Segunda Guerra por volta de 2002. Em 2006 tentei reproduzir um Messerschmitt Me 109, porém sem sucesso. Não tinha nenhuma noção de escala e isso contribuiu um pouco pro meu fracasso. Desenhava algumas aeronaves e cheguei a pintar um P47 Thunderbolt em uma camisa, em Homenagem ao 1⁰ GAvCa, criado em 18/12/1943.

Como já disse, aprendi a trabalhar com o papelão depois de pegar a dica com um colega que me passou uns vídeos no YouTube para assistir. Vi apenas como ficava. As técnicas de trabalhar com papelão eu mesmo criei meu estilo. Foi muito na base da tentativa e erro. A internet está ai a disposição de todo mundo. Hoje você pode aprender qualquer coisa no mundo digital. Tem todo o ensinamento para calcular as fórmula mais complicadas de matemática até fazer qualquer outra coisa, como por exemplo técnica de papelão ou construir maquetes de madeira. 

O Blog fez uma matéria com o Istael Porto, ele ensina em dezenas de vídeos a construir maquetes de madeira. Sensacional o trabalho do cara. Mais ainda, a humildade dele em transformar em vídeos o conhecimento dele e disponibilizar no You Tube para todos assistirem e aprenderem. A internet permite inclusive a interação com outros artistas, através de grupos no Facebook. Lá é possível trocar algumas informações e tento sempre tento melhorar o que faço. Mas sempre usei uma técnica própria.

Comecei a fazer primeiramente com papelão tanques de guerra com pintura de times de futebol, assim consegui vender mais. O meu primeiro desafio com uma aeronave foi tentar fazer um Apache e apesar de não ter ficado muito igual acabei me animando com o resultado e nele utilizei técnicas próprias. Depois dele ainda fiz mais uns tanques de guerra e uma Escavadeira Hidráulica, até que em Abril de 2019 um colega de serviço que serviu na Aeronáutica me pediu pra fazer um helicóptero pra ele. No início ele queria um Esquilo, mas eu mostrei um Mil Mi 35 (AH 2 Sabre) e ele mudou na hora de ideia. 

Eu adoro fazer as maquetes ouvindo o bom e velho Rock' n Roll. E não pego encomendas pra longe devido a dificuldade que teria pra entregar a maquete num prazo razoável, mas quem sabe um dia não vivo só disso, esse é o meu sonho.  O tanque que foi pro Japão a pessoa que encomendou mandou daqui de São José dos Campos pra lá.

A construção de uma maquete de avião em papelão começa com o desenho no papelão. Depois vou construindo tipo o "esqueleto" da aeronave, e colocando uma camada de papelão aqui , outra ali até chegar na forma 3D. Dependendo dos detalhes da aeronave, levo até uma semana pra fazer uma. Já os tanques realizo de forma mais " simplificada" pois já tenho muita experiência e posso construir quatro por dia. Mas, como tenho que conciliar meu trabalho com a minha paixão,  os prazos acabam por serem às vezes mais longos.



Já trabalhei com outros materiais, como madeira e pedra (tipo rachão) , mas não para fazer aeronaves. Embora eu acredito hoje ser capaz de fazer. O máximo que fiz com madeira foi restaurar uma maquete de um Abro Ar 85 em resina que ganhei. Ele não tinha as asas e eu refiz com uma espécie de compensado e os motores fiz com cabo de vassoura.


Quando trabalhava na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos de São José dos Campos resolvi construir uma réplica das escavadeiras hidráulicas pesadas que tinham na empresa. Todos a princípio achavam que era uma brincadeira. Mas com o caminhar do projeto começaram a chegar os incentivos e cobranças para finalizar a maquete. Minha principal dificuldade foi a sua mobilidade. Pois, meu projeto a tornava toda móvel, com exceção das "esteiras", que é a malha de aço onde ficam por fora das rodas. Construir suas articulações foi igual a " projetar um avião de antigamente".


Tudo na base da tentativa e erro. Um ajuste aqui, outro ali e vamos adiante. Os braços dela pra serem móveis usei tubos de papel que enrolava com ajuda de um palito de churrasco. Construí um mais largo na parte de fora e os de dentro eu pintei com tinta metálica pra deixar um pouco mais realista. As esteiras não deram para criar móveis porque teria que bolar um outro jeito que não fosse usar papelão e aí iria demorar muito pra fazer. 


O que fiz de pedra foi um crocodilo de cerca de 5 metros e entalhe na madeira. Algo parecido com o Baby Groot. Quando eu falava que iria fazer,  ninguém acreditava. Na empresa que trabalhava fui desafiado a construir algo num local lindo. Era um lago construído próximo a uma nascente d'água e  sem contato com lixo. Só pra ter uma ideia eu até bebia a água dessa nascente e que água boa  
Me deram um resto de material. a ideia era para ser um atrativo para as pessoas que fazem visitas ao Aterro. 


Lá não é só lugar de colocar lixo. Esse lago onde eu fiz essa escultura fica bem do lado de Um Aterro, às margens da rodovia dos Tamoios. Nesse local haviam vários animais silvestres como aranhas e cobras. Nessa época eu cuidava da equipe de roçada lá. Aí quando o pessoal ficava nessa área eu ia fazendo a coisa acontecer e às vezes trabalhava aos sábados. Esse trabalho ficou só faltando a pintura, que comecei a fazer. Fiquei pouco frustrado de não ter tido a oportunidade de terminar ao ser transferido de setor.


Um tempo depois, fui contratado pelo Centro Educacional Nossa Senhora das Graças, em Jacareí, para construir uma grutinha religiosa, onde foi instala do uma santa. O projeto novamente eu tive que colocar a mão na massa. Ou melhor no pesado. Na pá, na enxada, no cimento, na areia. Tive até que virar massa. Foi novamente muito gratificante. 


Porque você recebe um local e tem a possibilidade de desenvolver todo um projeto sobre sua responsabilidade, do urbanismo ao melhor aproveitamento dos materiais e tendo como o objetivo final a alcançar a aprovação de quem te contratou. Trabalhei sozinho, tive que rebaixar o solo todo. Cheguei a fazer um croqui de como poderia ficar, mas conforme fui fazendo acabaram surgindo novas ideias e algumas mudanças. Concretei tudo sozinho e terminei a noite. Uma das mudanças em relação ao croqui é que coloquei uma jardineira a mais de cada lado na parte inferior. E no final de tudo ter a aprovação do trabalho é fenomenal.


Minha primeira tentativa para fazer um helicóptero foi em março de 2018. O objetivo era tentar reproduzir um Apache.  Usei caixa de leite para as pás dos rotores, palito de dente para os trens de pouso, mísseis e canhão e papelão no restante. A pintura foi com tinta de parede reaproveitada. 


Desde o primeiro semestre que entrei no Cephas no curso Técnico em edificações eu queria prestar uma homenagem a alguns amigos tatuadores. Tínhamos que por criar um projeto de reservatório de águas pluviais. Então me veio essa sacada de fazer um "crânio humano". Seria um belo atrativo pra quem fosse visitar o estúdio ver um "esqueleto " segurando o imóvel. Os braços esconderiam as tubulações que mandaria água pro reservatório. E assim, esta seria minha homenagem aos meus amigos. As vezes as ideias surgem de coisa simples. 

 Em 2019 realizei um curso de Manutenção de Aeronaves na FATEC. Foi um curso que exigia muito dos alunos e consequentemente também muita dedicação nossa. Neste período surgiram várias encomendas que aceitei e que levei longo tempo para conseguir entregar. Como um tanque de guerra com acabamento em referência a bandas de Rock, helicóptero UH60 Black Hawk. Cheguei a dar uma pausa nas construções de maquetes inclusive. 

Esse período foi muito difícil também porque minha namorada teve que fazer uma cirurgia e nós passávamos por dificuldades financeiras e a sua irmã da  ajudou a gente muito.  Então, tempos depois resolvi fazer essa maquete de um Neauport 17 para homenagear ela e o Lar de Idosos que ela abriu. Ela é uma pessoa com um coração do tamanho do mundo. 


No final desse ano o professor Félix da FATEC da Disciplina Familiarização Aeronáutica viu um dos meus trabalhos. E perguntou se eu seria capaz de construir uma maquete de um Hangar. Respondi que se me desse as plantas com as medidas conseguiria com certeza. Já tinha conversado com o meu colega lá mesmo e isso seria uma oportunidade de descontar alguns meses no estágio para graduação. Pelo menos era essa a minha ideia. Porém a construção desse Hangar me rendeu algumas dores de cabeça e muita experiência.

Inicialmente só tive que comprar para fazer esse hangar foram essas duas placas de poliestireno, mais conhecido como isopor. O quadrado de compensado eu consegui no serviço. Eu estava muito empolgado para realizar este trabalho. Recebi todo o projeto pelo celular do professor. E fiquei mais apaixonado ainda por todo o projeto. Praticamente iniciei os trabalhos imediatamente rabiscando e projetando tudo. Comecei a marcar o lugar das salas e laboratórios. Começaram a surgir dúvidas e questionamentos diversos, como faria os pilares? E para cada problema eu encontrava uma solução. "Palitos de Churrasco e de Dente" para as "Treliças dos Pilares". Onde tive que construir dezenove pilares colando pedacinho por pedacinho de palito. Ou o telhado, colocando telha por telha. 

Mas meu maior problema não foi com a maquete propriamente dito. Foi com um elemento externo "Falta de Espaço". O projeto do Hangar era enorme. Sofri muito com a falta de espaço. Tinha que tirar o carro da garagem para poder trabalhar. Em janeiro de 2020 o Hangar estava indo muito bem. Já estava até pintando o telhado que tanto tinha me dado trabalho. O telhado começou a flambar (selar). Eu tinha feito as treliças de papelão e devido a elas ficarem expostas a umidade no lado de fora, mesmo estando na garagem de casa que é coberta, as soldas feitas com cola branca acabaram cedendo e tive que refazer o telhado inteiro. Aí usei placas de depron, semelhante a isopor, pra fazer as treliças. Isso deu certo e não selou mais, mas já tinha perdido um trabalho de quase duas semanas.

Em fevereiro iniciou o segundo semestre do curso, mais intenso que o primeiro e exigindo mais ainda. Tentei ainda fazer mais algumas coisas nele, mas o curso novamente tomava muito do meu tempo. No  Carnaval chovia muito e para não ficar parado com o Hangar resolvi fazer uma maquete do avião Brasília que existe lá e está bem avariado. Imaginei ele restaurado dentro desse Hangar. Como os estudos exigiam minha dedicação, sobrou pouco tempo para trabalhar no Hangar. Com a chegada da Pandemia as aulas passaram a ser online e não me adaptei. Eu ficava com tanto sono e no conforto da minha casa que foi ficando impossível pra eu acompanhar as aulas e acabei trancando a matrícula.

Em setembro de 2020 resolvi parar com tudo e finalizar o Hangar. Me programei e internacionalizei 15 dias dentro da minha garagem. Decidi que só iria sair de lá com o projeto finalizado.  E foi exatamente o que eu fiz. Um detalhe aqui, outra revisão ali. Um ajuste acola. E iniciei a pintura. E uns detalhes como um projeto de jardinagem nos entornos. Até que em exatos quinze dias depois entre em contato com o professor Félix da Fatec informando que estava pronto e eu estaria entregando o projeto. Assim, dia 24 de outubro de 2020 o Hangar já estava em cima do meu "FIETÃO" rumo ao seu destino, digo, Laboratório de Helicópteros na FATEC.

Antes de continuar com o helicóptero do meu colega, fiz um avião baseado no Neauport 17 e mais alguns tanques de guerra, inclusive um deles foi pro Japão. E em meados de novembro retomei os trabalhos de helicópteros,  dessa vez estava fazendo um UH 60 Black Hawk mais complexo que os dois anteriores. Sinceramente esse deu até dó de entregar. Fiz abrindo todas as portas e com duas metralhadoras dentro. 

Tive uma ideia de homenagear os profissionais de saúde da UPA, verdadeiros heróis nesse momento em que o mundo passa por uma guerra mundial contra uma doença invisível. Onde todas as armas de todos os povos estão unidas em prol de um bem maior maior, a VIDA.  Quando a epidemia chegou aqui alguns deles estavam até sendo "evitados" em estabelecimentos. Cheguei a ver cenas inacreditáveis e surreais  numa panificadora de serem proibidos de entrar. Logo contra os profissionais da saúde que estão no fronte da batalha. De frente com o inimigo.

Dando todas suas forças para de dia e de noite para salvar vidas de pessoas que nem conhecem. Fazendo o impossível. Esse tanque eu fiz em Abril pra homenagear estes profissionais de saúde da UPA do bairro onde moro. Entreguei no dia 01/05/2020, quando entreguei, eles até ficaram surpresos. Não foi tão emocionante porque infelizmente não tive permissão pra  tirar uma foto com os profissionais de saúde segurando ele. Mas eu entendi a situação era muito tensa.

Atualmente estou trabalhando em 30 miniaturas de tanques de guerra. Não são de nenhum modelo conhecido, eu que acabei inventando o design pra ficar mais fácil de fazer e mais barato. Onde resido é difícil encontrar entusiastas de aviação ou blindados. Depois tenho a intenção de construir dez miniaturas do avião Neauport 17, esses sim com o design mais fiel que eu consiga fazer. 

E em seguida vou fazer um bem desafiador que será um AH 64 APACHE. Acredito que desde quando comecei em 2018 já vendi vinte tanques e dois helicópteros. Mas nunca sai na rua vendendo, as pessoas sempre me pediram. Hoje isso é um hobby e uma terapia pra mim. Ajuda a combater o Stress. 

Esse helicóptero Apache modelo Americano foi uma encomenda do amigo Samuel. Ele pediu fora dos padrões normais. Pois queria com pintura customizada camuflada na escala 1 x 50 e com adereços internos no painel. Mesmo sendo numa escala pequena, topei o desafio e consegui realizar o desejo do amigo.

Bem pra finalizar, deixo o seguinte conselho aos mais jovens. A tecnologia é uma ótima ferramenta para auxiliar do homem. Porém temos que tomar o devido cuidado pra não sermos escravos dela. No dia em que isso acontecer, o homem perderá sua capacidade de criar, e ao perder a capacidade de criar, automaticamente o homem perderá também a capacidade de continuar EXISTINDO. 

Tenho alguns sonhos. Um dia construir um tanque e uma aeronaves só que em escala real. Haja papelão. Outro é quem sabe ir num aeroporto e entrar num avião e decolar para qualquer lugar, nem que seja, para ir e voltar. Pode até ser um pouco frustrante para alguém que já construiu tantas aeronaves nunca ter tido a oportunidade de ter olhado o mundo lá de cima. Desde já agradeço pela oportunidade de mostrar um pouco do meu trabalho. Um forte abraço. 


Conversei esses dias com o José Antônio e perguntei como foram os acontecimentos depois da publicação e ele me contou: "A repercussão foi muito positiva. O pessoal daqui do bairro e do serviço falando que agora estou famoso... Fora as solicitações de amizade no Facebook que estão bombando com gente de tudo quanto é lugar do Brasil e do mundo."


Parabéns
 !!!


Rogerio Carrasco
Também faço minhas miniaturas usando cartolina reciclada



Deita Salete
Parabéns
 que Deus abençoe

Aparecido Rabelo
Que assim seja