quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Familia Rodrigues


A história conta que o Rio Grande do Sul originalmente foi construído pelos índios que já habitavam as terras dos pampas como os charruas, guaranis, minuanos e tapes. Depois chegaram os portugueses, espanhóis e outros europeus. Mas também houveram outros povos que chegaram décadas depois como o uruguaio José Silveira Rodrigues que vendeu suas terras no país vizinho e venho ao Brasil buscar um novo futuro. 

Chegando aqui conheceu Amanda Azambuja, onde em pouco tempo vieram a constituir matrimônio e uma família de dez filhos, sendo Amós, Angélica, Antoninha, Estela, Daniel, Joel, Lygia, Oseias, Neca, Moisés, Neuvíndio. Com o tempo vieram os genros e as noras. Assim, a árvore criou galhos, ramificando novas famílias, reproduzindo frutos e consequentemente novas sementes e novas árvores. Surgindo então um pomar de árvores. Pois agora já eram vinte e nove netos e quem sabe quantos bisnetos e tantos outros etos a partir do José e da Amanda?

Inicialmente a família se estabeleceu no bairro Floresta onde tinha uma marcenaria, faziam pequenos trabalhos e tinha um auxiliar para os trabalhos. A família por ser de religião metodista construía também urnas funerárias simples gratuitas para as famílias sem condições financeiras. As coisas iam bem na marcenaria até que em 1941 houve uma enorme enchente na cidade de Porto Alegre. Toda a oficina e a casa ficaram em baixo d'água durante vários dias. Muita coisa foi perdida. A família foi se refugiar com outras famílias na Igreja Metodista Central durante muitos dias.

Os meninos aprenderam a nadar as margens do Rio Guaíba, na ACM - Associação Cristã de Moços, naquela época estava localizada a beira do Guaíba. Depois com a construção da sede nova, foi a marcenaria do José que construiu as janelas da fachada. A grande amiga dos meninos era sua cachorra Diana inseparável. Não havia menino que quisesse brigar com eles com a Diana por perto. 

E eles por molecagem mandavam a Diana colocar suas patas da frente nos peitos dos meninos briguentos, ela coloca, mas não fazia nada. Haviam dois que eram inseparáveis, deveriam ter nascidos gêmeos. Todas as façanhas e "artes" faziam em parceria, o Oseias e o Joel. Os dois subiam nos eucaliptos e havia um bêbado que passava lá em baixo e eles ficavam zoando com ele, e claro ele nunca encontrava os dois. 

Em 1941 ocorreu a maior enchente da história de Porto Alegre, foram mais de vinte dias que as águas do Guaíba castigaram os gaúchos da capital, onde chegou a subir quase cinco metros acima de seu nível natural, deixando mais de setenta mil desabrigados, sem energia e água potável. Foi então que foi construído o Muro da Mauá. 

Naquela época a família residia perto do Rio Guaíba, e claro sofreu com invasão das águas. A enchente cobriu todo o Parque da Redenção, suas águas ficaram muito geladas. Na Igreja dezenas de famílias se refugiaram durante muitos dias, até as águas voltarem até seus níveis normais. Então todos foram para suas casas realizar a faxina geral. Havia muita lama dentro das casas em toda parte.  

O Seu José quando percebeu que seria uma enorme catástrofe, foi para a marcenaria com alguns dos filhos e teve a ideia de construir um barco grande de madeira. Enquanto isso, os demais começaram a levantar tudo que podiam e o mais alto possível, já estavam prevendo que iriam ter que abandonar as pressas a moradia. O Daniel e o Joel, foram por último na casinha dos fundos erguer as coisas da avó e do tio Júlio. E começaram a partir. O José e a Amanda foram para casa de amigos. O Daniel foi remanejado para o quartel do Exército de Porto Alegre, pois estava servindo em Bento Gonçalves. 

A Estela foi para o quartel da Brigada Militar prestar serviços voluntários de médica e levou junto o Oseias. Outro irmão ficou na casa da Dona Luiza e do Sr. Cardoso que tinha uma fábrica de sabão e criava abelhas. Os demais irmão foram para a Igreja Metodista Central de Barco remando, até que um dos remos foi perdido com a força da água, então ficou somente o outro remo que foi improvisado que originalmente era uma pá de mexer chimia. Quem ficou na Igreja passou muito bem, a comida era muito gostosa e ninguém passou frio, todos foram bem acolhidos.

O dono do armazém vizinho depois que todos haviam se refugiado pediu o barco emprestado para poder transportar e vender o leite, mas ele tinha medo de embarcar, assim ele ia empurrando o barco do lado de fora com o leite dentro. Quando a família voltou para a casa ganhou de presente uma panela enorme com vários litros de leite de presente, porque não havia cobrado nada de aluguel pelo barco. Naqueles dias, os ônibus e os bondes foram gratuitos em toda a cidade.  Na casa dos Rodrigues a perda foi mínima porque os móveis foram colocados todos em lugares altos antes de abandonarem o lar. As máquinas o Joel teve que lavar, lixar uma a uma e depois pintar até que ficaram novas novamente.

Com a enchente a família decidiu se mudar para outro bairro, foram residir no bairro da Glória, longe do "Rio" Guaíba. Compraram uma enorme chácara, com muita mata densa. Havia uma casa de pedra antiga, com vários quartos. Um enorme banheiro, com uma banheira da época antiga. Os novos proprietários nem imaginavam que aquela casa até pouco tempo era utilizada como necrotério do Hospital São José, que era seu vizinho.

Porque quando ocorria óbitos a noite o hospital transferia os corpos para a antiga casa de pedra que era utilizada como depósito pelo hospital. A entrada da casa tinha a sua esquerda uma escadaria de pedras e sua porta era um portal de madeira maciça. Uma das primeira construções que a a matriarca pediu que fosse construído aos filhos foi um caramanchão com flores glicinas com seus cachos de flores roxos espalhados em todos os cantos.

A chácara no início tinha poucas árvores frutíferas. Uma mangueira enorme, uma jaqueira e algumas outras arvores frutíferas do mato. Então, a família iniciou a plantação. Em pouco tempo, já era era uma feira de tantas frutas. Tendo um pouco de cada coisa. Como laranja, vergamota, banana, limão, abacate, pêssego, caqui, manga, pitanga, butiá, café, goiaba, cabijú roxo, pinhão, araçá, morango do mato, figo, ananás, ameixa amarela. Muitas frutas eram plantadas a partir das sementes próprias frutas consumidas. Assim, rapidamente se multiplicava o arvoredo. 

Por exemplo as sementes de mamão e de abacate eram espelhadas em vários lugares da chácara.  No verão eram colhidas as uvas para fazer suco de uva, que era armazenado em garrafas para serem bebidas somente nos almoços aos domingos. E do enorme pé de café eram colhidos seus grãos, retiradas suas sementes, secadas ao sol, descascadas, toradas e moídas. Então, se tinha um puro e saboroso café. Também fizeram uma horta com salsa, cenoura, cebolinha e principalmente a couve que adpatou-se muito bem e produzia enormes folhas. 

Quando os pessegueiros maracotões passaram a dar frutos, os filhos tinham que ensacar cada um dos frutos para depois a Vó Amanda fazer "pêssegos em caldas" em enormes vidros que duravam longos tempos, pois somente eram saboreados aos domingos. E os estercos das vacas eram colocados ao redor do arvoredo. 

Também eram criadas galinhas, patos, marrecos, coelhos e peru. Foi construída uma pequena estrebaria para duas vacas, uma delas se chamava "mimosa", que era um animal muito dócil, inclusive permitia aos filhos mamarem na suas tetas escondidos da patriarca.. As aves além de produzirem ovos, também ofertavam a carne, e no verão eram levadas para a casa da praia no jeep da família amarradas, e lá eram soltas no quintal, onde botavam ovos e com certeza não voltavam mais para a capital, visto que seu destino era a panela aos domingos. As aranhas caranguejeiras eram protegidas pelo patriarca, ai de quem as matassem. 

Certa vez, o Joel encontrou uma nas redondezas da casa, a colocou numa caixa de sapato. Durante a noite, acordou e escutou ela roendo o papelão. No outro dia, levou ela até a boca do mato, local onde iniciava a área da floresta. No fim da tarde, lá estava a caranguejeira de volta a porta de seu quarto. Pegou ela na mão e dessa vez, a levou morro a cima e colocou num local muito distante para nunca mais lhe ver. 

A chácara era servida de água natural. No início a matriarca Amanda lavava as roupas no poço na parte mais baixo da propriedade junto as bananeiras e para alimentar a água da casa usava água que vinha do mato forte que era canalizada e enchia a caixa de tijolos construída. Depois com o tempo, foi construído um poço profundo lá em baixo perto das bananeiras, que de tempo em tempo era esvaziado para limpeza. Esse trabalho levava horas. Uma tarde inteira. 

De lá era levada a água em canos de ferro enterrados morro a cima, numa distância de aproximadamente 150 metros onde era armazenada numa enorme caixa de água construída com tijolos maciços que também periodicamente era esvaziada para limpeza. Naquela época as roupas eram lavadas em tanques externos, sob o sol forte e vento, tanto no verão ou no inverno. A chácara era uma propriedade enorme num morro elevado. No seu fim havia uma família que moravam em dois ranchos que também tinham um poço de água.

Um dos vizinhos era o Hospital Psiquiátrico São José, que não difícil fugia algum paciente e aparecia lá na chácara. Certa vez, o Joel caminhando pela mata se deparou com um par de chinelos no chão, olhou ao redor não avistou ninguém, mas teve a ideia de olhar para cima. Nisso encontrou uma senhora com as roupas de paciente, fez que não viu. E foi no hospital informar onde ela estava. Do outro lado da chácara havia uma enorme favela. 

Naqueles tempos ainda não havia água encanada nos morros, desta forma eles utilizavam das águas naturais para tudo que era consumo e a lavagem das roupas era realizado dentro da chácara mesmo, inclusive até lenha para acender os fogões a lenha eram extraídos da chácara. E desta forma nunca houveram nenhum problema com os vizinhos. 

Eventualmente, de madrugada alguém batia na porta dos Rodrigues pedindo socorro porque a esposa estava dando a luz e precisavam ir ao hospital e sabiam que ali era um socorro sempre seguro e imediato do filho Joel, numa época que não haviam táxis, mas apenas motoristas de praça, isso era ainda nos tempos dos bondes.

Com o passar do tempo, foram construídos dois quartos separados da casa de pedra para os filhos homens. Num deles dormia o Moisés que havia sido adotado pela Antoninha, seus pais eram desconhecidos e havia vencido um campeonato de bebe mais lindo. No outro quarto dormiam os demais irmãos. Assim, na casa grande ficaram o casal e as cinco filhas. As meninas ficavam mais com as lidas da casa, corte e costura, bordados e tricô. Estavam mais focadas a estudar. A Lygia fez duas faculdades e virou professora, começando dando aulas em Ipanema, que naquela época era distante e com estradas sem asfalto, normalmente o Joel a buscava tarde da noite de Jeep, porque naquele horário já não havia mais ônibus.

A Estela formou-se médica indo trabalhar no Hospital Belém Velho. A Angélica foi trabalhar na Secretária da Saúde. A Antoninha teve a mais bela e antiga de todas as profissões, de ser mãe. E não deve ter sido fácil, como dizia o Joel ela era mãe do Gerson que sempre foi levado a "breca". A Neca era uma filha especial com síndrome de down, era uma criança especial, sempre rindo e brincando.

Enquanto isso os homens buscavam lenha na mata para o fogão a lenha. Levavam a mimosa e a outra vaca para comer pasto em outros lugares distantes. O Oseias era um ano mais velho. Inclusive na juventude muitos os achavam muito parecidos, ocorrendo até problemas no quartel por causa disso. 

Certa vez, encontraram o Joel passeando na Rua da Praia e um sargento achou que fosse o Oseias que deveria estar de serviço no Exército. Os dois eram tão unidos, que o Joel chegou a falsificar a data de nascimento de sua certidão de nascimento num cartório para servirem juntos. Então, os dois se alistaram no mesmo ano, só que não haviam combinado que deveriam se alistar na mesma Força Armada. 

Um se alistou no Exército e outro simultaneamente na Aeronáutica e na Marinha. O Oseias foi servir em Bento Gonçalves onde o irmão mais velho Daniel também já tinha prestado serviço militar e sempre dizia que haviam linda mulheres e por isso o Oseias na última hora mudou de ideia. E foi em Bento Gonçalves que o Daniel conheceu sua esposa Noeli com quem viveu durante décadas. Coisas de Brasil, naqueles tempos não haviam computadores e tudo podia acontecer. 

E mesmo com os computadores o Joel décadas depois não saiu de uma zona eleitoral com uma cédula de votação na mão e foi para casa? Havia ocorrido que ele tinha ido votar com o documento da esposa e só depois de ter assinado a relação dos votantes e ter preenchido o voto que alguém percebeu. Quiseram recolher e anular a urna. O Joel teve a ideia e disse que iria buscar a esposa, mas iria levar junto a cédula eleitoral. Todos concordaram. No caminho, um boca de urna amigo seu venho lhe dar um santinho, e ele lhe mostrou a cédula oficial, e claro ele ficou de boca aberta.

A família foi crescendo e começaram a acontecer os casamentos das filhas e dos filhos, e pouco tempo depois vieram os netos. Uma das primeiras a casar foi a Antoninha que casou com o Teobaldo, que rapidamente se entrosou com os demais irmãos. E quando o Oseias casou, precisava de uma casa para morar, foi ele que teve a ideia de construir uma casa de madeira na chácara.

 Não só a ideia, mas também fez toda a construção com a ajuda dos cunhados. Mal a casa estava pronta e pintada de verde escuro o Oseias se mudou com sua esposa Ledi. Depois foi morar no andar de baixo da casa da sogra a poucos metros da chácara, quando o irmão Joel também casou com a Julita por dez anos até se mudar para a Vila Nova. Quando foi morar mais um irmão, o Nelvíndio por mais alguns anos, mesmo tendo a propriedade tendo sido vendida.

Com o passar do tempo o Joel se envolveu numa confusão dentro da Aeronáutica. Aliás, confusão era comum ao Joel, certa vez no colégio um colega estava importunando ele na fila, e não deu outra, o Joel meteu um soco na cara do infeliz e nessa hora o professor viu. Uma semana de suspensão e tinha ainda que escrever dez páginas a frase que "Escola não é local para brigar." Meu pai disse para o diretor que só escreveria se a escola desse o papel e o lápis, porque ele não tinha. 

O diretor foi as alturas e mandou um bilhete para o seu pai, que mandou o filho mais velho, que repetiu a mesma coisa e acrescentou que o Joel não iria perder uma semana de aula, porque escola era lugar de aprender e não de castigo. O diretor disse que ele não entrava na sala de aula. Então, o Joel assistiu a aula pela janela do lado de fora e não fez as tais páginas. Voltando ao problema da Aeronáutica, o Cunhado Dias havia ficado doente no Rio de Janeiro. O Joel pediu autorização a Marinha. Levou junto o Oseias, que pediu autorização do Exército para cuidar também do cunhado. 

E lá foram os dois irmãos num vapor que levou uma semana para chegar no Rio e outra semana para voltar, mas o retorno complicou porque teve um passageiro que embarcou com caxumba e passou para outras pessoas. Assim, no desembarque teve até ambulância aguardando no porto. Porém, o Joel não comunicou a Aeronáutica, que deu o caso como deserção. Então, no seu retorno após 30 dias, foi só colocar os pés na calçada do quartel que já recebeu voz de prisão. E lá foi a burocracia para desenrolar a confusão. Primeiro porque ele sabiamente puxou sua verdadeira certidão de nascimento, ou seja, havia se alistado um ano antes do obrigatório, e assim não poderia ser preso numa unidade militar. 


Em segundo lugar e para complicar mais ainda estava alistado em duas Forças Armadas. E em terceiro lugar estava numa delas autorizado a realizar a viagem ao Rio de Janeiro. E em quarto lugar quando o Joel falou do surto de caxumba no vapor a sala que estava cheia de oficiais ficou vazia, mas ai já era tarde, porque já tinha passado uma manhã inteira. Por fim, nada de prisão, os militares depois de muito estudar decidiram que era válido os meses já prestado de serviço militar e que ele deveria escolher onde ficaria, acabou optando pela Aeronáutica.

O Daniel foi parar num presídio, e lá ficou durante muitos anos. Era diretor do Presídio. Ele contava que haviam presos, isso a década atrás que poderiam nascer duzentas vezes, mas que jamais iriam perder aquela má índole de fazer o mal. Que já fazia parte de sua natureza praticar o mau. Matar, roubar, bater era parte de seu caráter e que jamais iria mudar. Por outro lado, haviam pessoas que poderiam voltar a sociedade. 

Ele contava de um preso que matou duas pessoas e que essa pessoa poderia regressar ao convívio da sociedade. O fato aconteceu que o cidadão era vigilante havia sido demitido, a arma era de sua propriedade, passou num boteco, bebeu um pouco além da conta e ao chegar em casa pegou a mulher com o amante na cama, não deu outra, a fatalidade aconteceu. 

Matou os dois com o revólver ali mesmo na cama. Depois o Daniel foi trabalhar na Justiça Eleitoral em Porto Alegre, acostumado com o sistema do presídio, era autocrático. Ele contava que já na primeira semana uma funcionária na sexta feira pediu as 15 horas para sair mais cedo para ver sua mãe que não estava bem. Isso era no verão. Na semana seguinte ela procurou ele as 13:00 horas. E na terceira semana novamente as 10 horas da manhã. Então, ele lhe pediu uma tarefa e lhe incumbiu que fosse entregue as 12:00 horas em ponto. 

Pontualmente nesse horário a funcionária entrou no gabinete do Dr. Daniel, sua secretária informou que ele estava na garagem resolvendo algum problema e que ela poderia ir entregar os papeis a ele diretamente na garagem. Lá foi a funcionária com as tranças dos cabelos voando escadas a baixo. Chegando lá o Daniel a aguardava no seu lendário Opala Duas Portas Laranja. Mandou a funcionária entrar no automóvel e disse a ela que iriam na casa dela, resolver o problema da mãe dela fosse qual fosse. Se tivessem que ir ao hospital ou ao INSS eles iriam. Mas que hoje iriam resolver. A mulher começou a tremer e a chorar. Saiu do carro correndo. E durante muitos meses não entrou mais na sala dele e muito menos dirigiu seus olhos a ele. 

Quando trabalhava em Porto Alegre ele vendia ovos de galinha caipira no tribunal, um dia o sobrinho Jones perguntou-lhe se ele já teve uma granja. Ele respondeu que não e que comprava os ovos no trajeto de Novo Hamburgo para a capital, e mandava enrolar em jornal, e revendia os ovos pelo dobro do preço. No tribunal surgiu uma vaga na época que não precisava de concurso e convidou a Julita que acabara de se casar com o Joel, os dois pensaram e decidiram em não aceitar a oportunidade, nunca se arrependeram de terem recusado o convite que foi secreto. 

O Daniel sempre tinha um carinho especial pelo Joel, o irmão que o mais visitava em Novo Hamburgo, e volte e meia lhe oferecia algum dinheiro, mas nunca era aceito. Talvez esse sentimento fosse pelo salvamento da pescaria no mar. Em certa viagem de lazer foi a São Francisco de Paula e no quarto encontrou uma enorme aranha caranguejeira, não pensou duas vezes, fez as malas e partiu de volta para Novo Hamburgo, só voltou décadas depois a cidade para ser padrinho de casamento do sobrinho Jones, mas nem pensar em dormir na cidade. 

Uma das maiores satisfações e alegrias do Daniel nos finais de ano, era se vestir de Papai Noel e estar junto as crianças no Shopping Center de Novo Hamburgo. Sua barba era natural. Na verdade ele foi Papai Noel muito antes de ter a barba branca. Muitas vezes foi o refúgio e confidente primeiramente dos irmãos, do pai, dos filhos, dos sobrinhos, dos netos e bisnetos. Deve ter sido o primeiro a sair de casa. O primeiro a casar, e foi morar fora de Porto Alegre, indo a Novo Hamburgo, nas redondezas da capital. Teve três filhos Nélson, Junior e Marília.  

Em tempos de praia houve um acidente, se enrolou na rede de pesca, foi salvo pelo Joel, quando decidiram guardar para sempre todo o material de pesca num antigo baú, e nunca mais os dois  pescaram. Mesmo com a distância o Daniel não se distanciou da família, frequentemente conversava por telefone com a Lygia, Joel e Angélica. Frequentemente o sobrinho Jones lhe visitava em Novo Hamburgo, em Capão da Canoa ou em Porto Alegre, exclusivamente para dar gargalhadas. Ou para falar com ele por telefone. 

Um de seus maiores sonhos infelizmente nunca se concretizou, que era comprar um motorhome e viajar pelo Brasil. Aos oitenta anos foi residir em Porto Alegre após casar pela segunda vez, com uma antiga paixão dos tempos de juventude, e que teve como pombo correio para o reencontro sua irmã Lygia que concretizou o reencontro dos dois. Faleceu com aproximadamente aos 90 anos no hospital Moinhos de Vento. 

A Lygia depois de algum tempo dando aula no bairro Ipanema, conseguiu sua transferência para o bairro Medianeira. Isso foi uma realização. Saiu do fogo e foi para o paraíso. Passou a dar aulas num colégio na época com toda a estrutura, um dos melhores colégios estaduais de primeiro grau, tinha atendimento odontológico e médico para os alunos e comunidade, aula de música com piano, salão de esportes fechado e três quadras de esportes, áudio visual, biblioteca, cozinha e local teatro. Isso naquela época era surreal. 

Depois de anos de magistério, passou a supervisão dos alunos, ela comprou um apito de madeira mogno, e os alunos no primeiro apito já sabiam que lá vinha a autoridade. Depois foi trabalhar como bibliotecária e nos últimos anos foi trabalhar num expediente externo da escola. Não queria mais ficar dentro da escola. Era um trabalho tipo boy. Até porque naquele momento seu sobrinho Jones, filho do Joel, já não mais estava no colégio, e ela o tratava como um de seus filhos, inclusive foi ela que pagou sua faculdade e quando foi operado na adolescência bancou também sua cirurgia, foi sua madrinha de casamento, centenas de vezes o sobrinho dormiu em sua casa. Nunca casou, mas teve dois filhos, o Gabriel e a Neiva. 

Num desentendimento com o futuro casal, alguns irmãos tiveram uma conversa com o cidadão e o botaram para correr para nunca mais voltar as terras do Rio Grande, dessa forma, o filho nunca conheceu o pai. O Gabriel estudava para advogado e faleceu com 28 anos. Os primos Jones e Gabriel era como irmãos e tido pelo Joel como filho. Uma de suas paixões era viajar, principalmente para o Uruguai. Numa dessas viagens com o Joel, estavam no cemitério, e os dois curiosos encontraram um tumulo aberto e o Joel, foi mexer e encontrou o cadáver da avó sem caixão enrolada em um lençol, foi então que descobriu o costume da região de enterrar as pessoas. Durante décadas a Lygia e a Angélica passavam os domingos na casa do Joel. Faleceu no hospital Ernesto Dorneles com 86 anos. 

O Oseias não foi o primeiros dos irmãos a voar alto e tirar os pés do chão. Trabalhou a vida toda na Varig. Exercia a profissão que aprendeu dentro de casa, a carpintaria dentro dos aviões. Claro que aperfeiçoou o estilo, criou o estilo de "carpintaria com estilo". Ele não só tinha as ideias brilhantes como encontrava as soluções para os mais diversos problemas que pudessem surgir nas montagens e manutenção das aeronaves entre as poltronas, toaletes, compartimentos de cargas, etc. Casou com a Ledi, teve três filhos. E por mais que quisesse descansar quando estivesse em casa, foi morar do lado de uma oficina de automóveis. E muitas vezes tinha que voar a trabalho para algum canto do Brasil para consertar algum avião. 

O Joel era o confidente da sua mãe. A ele a sua mãe guardava suas confidências e segredos. Foi ele que a levou ao hospital em sua última viagem. Mesmo pertencente ao berço da Igreja Metodista, também tinha bons relacionamentos com o Monsenhor Padre Rubens da Igreja Católica, onde era tratado como um filho. Era muito comum sair com o carro do Monsenhor ou com a Kombi da Vila Betânia para realizar pequenos serviços para o Monsenhor ou para a Madre Eduarde e até mesmo para levar as freiras para algum passeio, como visitar a praia do Guaíba ou fazer compras para o retiro e para as freiras. O Joel não era empregado, realizava essas pequenas atividades em razão da amizade e não cobrava e por ser de confiança da instituição religiosa. 

Era acostumado a frequentar o retiro interno das freiras. Às vezes almoçava ou jantava com o Monsenhor e com a Madre. Certa vez o Joel colocou todo mundo da Vila Betânia em desespero e para correr, ele havia encontrado nos jardins uma aranha caranguejeira e havia entrado com ela numa das mãos para mostrar para a madre e conforme entrava as freiras e funcionárias saiam gritando desesperadas. E as vezes o Monsenhor ia na chácara visitar o Joel. E foi ali que conheceu sua esposa Julita, que trabalhava como enfermeira, que naquela época não requeria curso técnico. 

O Joel se não teve que pedir sua mão para seu sogro, por outro lado teve que pedir para a madre e para a futura sogra. A Madre lhe perguntou onde iriam morar. Ele humoristicamente respondeu que em baixo da ponte da Glória. A madre então perguntou "e o automóvel?" E ele respondeu "em cima da ponte!" A madre só fez duas exigências, que casassem na Igreja Católica e em data escolhida por ela. E assim casaram, com a igreja totalmente lotada, pois a madre escolheu uma data de retiro de excursão onde a Vila Betânia estaria lotada. Ele teve as benção de sua sogra e sempre a tratou com sua segunda mãe e ela como um filho, por coincidência tinha o mesmo nome de sua mãe e somente falava o idioma alemão, mas isso nunca foi dificuldade para a comunicação. 

O Joel tocava os negócios da família, junto com o cunhado Teobaldo, que passou a integrar a família como um membro. Era um negócio de vendas de linhas. Mas ele não tinha espirito empreendedor, vender fiado, cheque, isso não era para ele. O negócio era dinheiro vivo. Ficar numa fila para entregar mercadoria num grande cliente ele não ficava, pegava a caixa com as linhas e atirava na Kombi e ia embora e pronto. E vivia resolvendo os problemas da família aqui e ali. Entre negócios aqui e acola foi fazer uma entrega do pai no Presídio Central de Porto Alegre ao Coronel Reis, e caminhando pelos labirintos do presídio se perdeu e foi parar na ala dos presos. 

Os guardas pensaram que fosse preso. Vá lá ele explicar, e o Coronel já tinha ido embora. Telefonaram para a casa do diretor e falaram com uma das filhas dele que era amiga da família, jurou nunca mais entrar no presídio, nem que fosse para buscar ouro. Até que se aposentou com um telefonema para Brasília. Na época de praia não foi só seu irmão que socorreu, também salvou mais dois outros jovens de morrerem afogados num deles ao sair com o jovem do mar olhou para os curiosos e os chamou todos de covardes que ficaram ali na praia e nada fizeram. 

O Oseias e o Joel viviam inventando coisas. Aprenderam com os amigos a construir uma galena. Então pegaram resto de solda que tinham na oficina e conseguiram um par de fones antigos velhos e uma pedrinha pequena chamada cristal e com uns fios dependurados, algumas tentativas erradas, muita persistência e conversa entre os dois, começou a sair algum ruído naquele amontoado de lixo. Até que de repente a galena funcionou. Comemoração geral dos dois irmãos. Ficaram especialistas em fazer e querer consertar no futuro rádios e televisões. 

Na igreja haviam alguns americanos que já sabiam da fama dos dois filhos do José e quando estrava algum rádio ou quando retornavam aos Estados Unidos davam de presente a eles. Então, os dois ficavam metidos em fazer funcionar e por ser rádios de maior potência com quatro ondas e eles podias escutar até as rádios norte americanas, falavam tudo em inglês. Mas como cantavam os mesmos hinos religiosos todos acompanhavam aqui.  O Joel toda vez que estragava alguma coisa, abria e tentava consertar. Na verdade só tentava. 

Ficava na tentativa e erro. Trocava válvulas e mexendo nas soldas. Ficava horas e dias nessa função. Passou a ser mais um passa tempo que na verdade um conserto. Lia livros técnicos e conversava com pessoas que tinham conhecimento técnico. Assim foi com seu Opel. Somente seu relógio de parede que ele desmanchava para lubrificar e montava novamente direitinho. Apenas na última vez não soube montar, já era sintoma do Alzheimer, mas ninguém percebeu, todos achava que era apenas esquecimento.

Outra bravata que os dois fizeram juntos e com o irmão Moisés, depois de terem tido um desentendimento com um dos vizinhos da chácara, fizeram umas flechas com armações metálicas de um guarda chuva velho quebrado e amararam na ponta pedaços de pano velho molhado com querosene. Subiram a noite mato a dentro da chácara até perto da casa do vizinho e acenderam as flechas e atiraram duas acertando na parede da casa. Felizmente outro vizinho viu e deu tempo para apagar e evitar uma tragédia do morro inteiro pegar fogo. Não demorou muito para o seu José e dona Amanda tomarem conhecimento do fato e os dois tomarem uma represália dentro de casa.

Uma das relíquias do Joel era seu carro opel sedã de quatro portas. Costuma comentar que tinha sido o último carro que sua mãe havia andado e o primeiro do seu filho. Durante décadas ficou parado ou na garagem da chácara que era chaveada com uma antiga corrente de elos enormes e um cadeado grande e depois da Vila Nova. Ele ficava horas tentando consertar o automóvel, mas nada. Quando ligava o motor era uma fumaceira só. E quando levou o carro da Glória para a Vila Nova foi uma preocupação de dias de planejamento. Foi uma aventura. 

Ele nem sabe como na verdade o carro pegou. Mas saiu andando, mas na subida da lomba, perto da casa do cantor Teixerinha o motor apagou e morreu de vez. Nas o velho arteiro não desistiu, conseguiu uma carona e guinchou o carro até o fim do morro. Depois desceu em ponto morto até a porta da nova casa. E lá o carro ficou mais dez anos parados, guardando no seu porta malas revistas da Playboy, e servindo para seu filho brincar com os amigos de motorista, até que um dia o carro foi finalmente foi vendido para sua tristeza.

Teve apenas um filho, o Jones. O Joel estudou até o primário e sua esposa também, mas fez seu filho concluir a faculdade. Tinha várias paixões, como ler jornais e a Bíblia, visitar os sobrinhos que gostava, um dominó, um fogão a lenha para esquentar, seu neto era sua paixão. Mas não tolerava a mentira. Certa vez, as vésperas do Natal e sem dinheiro para a festa e muito menos para presente para o filho foi até a prefeitura buscar o carne do IPTU. Ao subir a escada da prefeitura, uma senhora desceu correndo e lhe deu um entroncou que ele caiu na escadaria. Nisso quem estava ao seu redor lhe ajudou e outros gritaram "Pega ladrão", e isso o povo começou a gritar e gritar, e o começaram a correr atrás dela. 

A mulher ladra desesperada jogou todo o dinheiro que tinha nos bolsos para o alto. O povo recolheu tudo e vieram devolver tudo ao Joel, ele pegou tudo e agradeceu. Olhou ainda meio atordoado tudo em volta e voltou a subir a escada. Entrou na prefeitura e contou o dinheiro. Ficou apavorado tinha dinheiro para o Natal, foi para casa e até esqueceu do carnê do IPTU, o dinheiro não tinha como ser devolvido para seus verdadeiro donos. Era ortodoxo. Tinha o Oseias como o irmão preferido, e os cunhados Teobaldo, Antônio e Dias como verdadeiros irmãos. A Lygia já não era mais irmã, era como se fosse uma mãe. 

Ele não tinha medo da morte, aos setenta anos de idade foi diagnosticado com câncer e estimaram três meses de vida  depois de repetidos exames. Ele não pensou duas vezes, mesmo desaconselhado pelos médicos foi para cirurgia. Fazendo três operações. A primeira levou mais de cinco horas. Acreditavam que ele não sobreviria a essa. Dois anos depois 20 seções de radioterapia e depois medicação oral. Residiu até os 85 anos em Porto Alegre e surpreendentemente foi morar em São Paulo quando foi descoberto o Alzheimer, quando todos diziam para não partir para local tão distante e foi embora de mala e cuia para a casa de seu filho, deixando para trás todo seu passado. 

Em São Paulo iniciou um tratamento que todos sabiam que jamais venceria. Tudo seria uma questão de tempo. Mesmo com o tratamento e terapias. Fez musicoterapia, que era escutar músicas do seu tempo ao lado do seu filho em quando trabalhava. Pintava muitos desenhos. Fazia todos os fins de semana passeios na praça ou em ou outros lugares mais distantes como shopping e aeroportos. Certa vez perdeu um dos aparelhos auditivos. Foram mais de dez dias com todos revirando a casa e nada de encontrar. Um mês depois na pracinha ao lado do seu filho o Joel diz que tem um presente a ele. Então, tira do bolso um aparelho auditivo. 

O filho pega e percebe que o outro esta no ouvido, o pai começa a rir e diz para o filho que encontrou num lugar que havia escondido e diz a ele para dizer a Julita que o filho havia encontrado e pronto, para a esposa não ficar braba com ele. Outra vez, na mesma praça o Joel olha um poste e aponta ao poste com uma lâmpada acessa e pergunta ao filho o que era aquilo. O filho olha e responde: "um poste de luz". O Joel responde que não e diz que eram duas pombinhas namorando, que estavam pousadas no poste, e dá uma gargalhada e passa a mão na cabeça do filho. Na semana seguinte ocorre a mesma situação e o faz a mesma pergunta. O filho responde: "duas pombinhas namorando". 

O Joel então responde: "Não" É apenas um poste!" E de novo dá um gargalhada e passa a mão na cabeça do filho. Nesses cinco anos que o Joel ficou em São Paulo foram dezenas ou centenas de vezes que jogou dominó com o filho e com a esposa. Onde 90% das vezes ele ganhou as partidas. Mas os jogos quem ganhou foram os três. O Joel ensinou muito cedo ao filho que nunca se ganha um jogo de um doente. E o filho aprendeu muito bem essa lição. Chegou a ser visitado por um de seus sobrinhos na cidade paulista e faleceu dormindo no carro quando estava indo ao hospital fazer uma revisão aos noventa anos, sem ninguém perceber, curiosamente na noite anterior havia sonhado com a sua mãe.

A Neca filha especial teve uma vida especial, sem preocupações. Amava assistir o Chacrinha nas tardes de domingo na casa de sua irmã Antoninha, provavelmente em razão de seus sobrinhos para ver as peladonas. Ela chamava o comandante de "Characrinha". Certa vez foi no supermercado com a Julita, esposa do Joel, e de repente ela e o Jones aparecerem os dois todos sujos de chocolate nos lábios. Era Páscoa. Naquele tempo a Julita foi falar com o gerente, e ele disse não se preocupe, é Pascoa.

 A Neca com o tempo foi morar com sua irmã Antoninha e lá ficou durante décadas. Depois foi morar com o irmão Joel por alguns anos. Em seguida voltou a morar com seu pai. E por fim foi morar com sua irmã Lygia que tinha se aposentada. A Neca gostava de uma praia, mas tinha um medo terrível do mar. Ela não tinha papa na língua. Com ela não tinha meia conversa. Quando não queria alguma coisa, era terrível. Com uma queda no apartamento foi hospitalizada e internada no hospital Ernesto Dorneles e faleceu com mais de cinquenta anos.

A terceira geração formada pelos netos também tem suas histórias e aventuras. Vamos começar com a família das baionetas. O Gerson certa vez foi tirar guarda ao noite no quartel do Exército num verão muito quente e não deu outra. Não aguentou a tentação do lago fresquinho a sua frente e foi peladão se banhar no lago. E claro, azarado foi pelo pelo oficial e foi parar na prisão do quartel. Seu sócio de parceira era seu tio Joel, claro quem mais poderia ser. Eles roubavam alguns limões da chácara para assistirem cinema e comprar revistas em quadrinhos. 

Já o Edmilsom, famoso Turco, comprou uma pistola para pagar depois de testar. Então carregou a pistola amarrou ela numa árvore e o gatilho com uma linha de nylon e foi distante puxar a linha. Não deu outra, a pistola explodiu em vários pedaços, imagina se estivesse aquela verdadeira granada nas mãos de algum coitado. O Wilson contava que tinha um cachorro que dormiu na cama de sua sogra, quando ela pegou o animal. Os irmãos baionetas quando moravam na chácara brincavam em plena Av. Oscar Pereira, que naquela época nem se pensava em afastar, assim não tinha o movimento de carros que tem hoje. 

O Paulinho filho do Oseias certa vez foi pedir para o Joel para aprender a pegar na mão uma aranha caranguejeira. Em minutos já estava com a caranguejeira na mão. E foi voando na sua casa gritando e chamando pela sua mãe. Quando o Paulinho se deparou na porta com a aranha na porta, sua mãe Ledi, não pensou duas vezes, pulou a janela e mandou o filho sumir com aquele bicho. 

O Jones, filho do Joel, também tinha que representar a linhagem dos tinhosos. Não bastava aprontar dentro de casa ou na sala de aula. Tinha que chamar a atenção. Então ele e alguns colegas  apadrinhados de professores para não terem uma prova fizeram um sorteio e ele ganhou. Então telefonou para a escola informando existir uma "bomba". Não deu outra, o colégio foi evacuado para o Estádio Olímpico e os bombeiros fizeram uma vistoria completa. 

No outro dia, já tinha vazado na diretoria o autor, mas tudo deu em pizza, nem advertência levou. Um ano depois sua turma achou que tinha descoberto um assassinato dentro do colégio. Onde eles chefiaram uma investigação. Descobriram que uma professora havia sido morta no vestiário, encontraram seu sangue e descobriram que estava enterrada do lado de fora do vestiário, numa pequena área não usada pelo colégio. 

Com as investigações, não demorou para chegarem de pás e enxadas na escola. Tudo recolhido pela direção, foi chamada a polícia que "fez" uma investigação e descobriram que o sangue era tinta. Imaginação fértil os meninos tinham. Era comum o colégio fazer um evento num sábado como um galeto, então almoçava no gabinete da diretora com os filhos, no final juntavam os ossos num pratinho e empacotavam e escolhiam um professor para presentear. Imagina quando o professor chegava em casa. Nunca deu problema.