Estas histórias do Comandante Rolim Amaro só poderiam estar sendo publicadas aqui no nosso que é sem fins financeiros graças a cortesia do Fotógrafo, Publicitário e de Aviões e Radialista Profissional Ricardo Beccari que concedeu a liberação de seu programa Porta de Hangar da entrevista com Comandante Mario Name. Foram dois programas Porta de Hagar e quem prefere assistir, seguem os links:
https://www.youtube.com/watch?v=mJrlHa6xIrA
https://www.youtube.com/watch?v=5VVKC7zfhPA&t=268s
Vamos transcrever os dois programas com os comentários dos dois profissionais que vivenciaram parte da história de um dos mais brilhantes comandantes e empresários da aviação brasileira.
O Comandante Rolim e o irmão João lutaram muito, fizeram bastantes voos em garimpo, pista curta, no interior. Passaram muito aperto. Não foi nada fácil. E criou a maior empresa do Brasil de aviação comercial que foi a TAM, que não é mais da família, mas continua o legado que ele dei.
O Comandante teve três filhos, um deles é o Marcos, que é um grande amigo nosso. Um rapaz muito querido. O Mario conta que conheceu o Marcos ainda criancinha quando estava brincando de carrinho em cima da mesa do escritório do Rolim. Era paixão do Rolim, ele estava sentado em cima da mesa, brincando de carrinho. O Marcos é um doce de pessoa, uma pessoa fora de sério, uma pessoa fora da curva.
É uma das pessoas mais humildes que já conheci na minha vida, um cara fenomenal e que puxou ao Rolim. Já o Becca comentou que sempre agradece muito ao Marcos porque apoia o Canal Porta de Hangar e também considera o seu sócio João Melão uma figura fantástica. Onde são duas pessoas realmente do bem. Na última Labace ele pegou o microfone da minha mão e quem fez a entrevista, foi muito divertido e gostoso. Ele é um cara muito divertido e legal.
O Comandante Mário conta como conheceu o Rolim Amaro, mas antes temos que contar uma história que antecedeu esse fato: onde foi voar com o Comandante já falecido Odilar do Manhães e numa conversa lhe contou que numa ocasião o Presidente da TAM no passado, antes de ser quem ele chegou a ser, se encontraram em Londrina. O Manhães estava embarcando num DC3 que era piloto e chegou um rapaz magrinho no avião e perguntou se estavam voando para São Paulo. O rapaz explicou que tinha vindo trazer um Bonanza para um fazendeiro e estava com sem dinheiro para retornar para São Paulo.
Então o Manhães perguntou o nome do rapaz, que lhe respondeu Rolim Amaro. Vamos fazer o seguinte: Você embarca comigo até Curitiba que lá é mais fácil de você seguir viagem. Chegando lá o Comandante percebeu que o rapaz estava com uma cara pálida e perguntou se já havia almoçado, que lhe respondeu que não tinha dinheiro para almoçar. Então o Manhães perguntou o que ele queria comer, e o Rolim disse qualquer coisa.
O Comandante pediu dois comerciais, ao término da refeição, o Comandante lhe deu um dinheiro e lhe disse, vai até a rodoviária e pega um ônibus para São Paulo, sua mãe deve estar preocupada com você. Nisso o Rolim lhe falou "Comandante um dia eu vou ser uma pessoa muito importante e eu vou te agradecer pelo que você fez por mim!"
Quando o Manhães me contou essa história eu tinha dezenove anos e fiquei eufórico e lhe pedi para irmos a São Paulo e conhecer o Comandante Rolim. Eu até fiquei na dúvida se essa história era verdade. Um certo dia partimos para São Paulo e chegamos na Sala Vip do Hangar 1 para aguardar a chegada do Comandante Rolim Amaro. Daqui a pouco ele chega, com um monte de gente, vários aspones em volta dele.
Nisso ele olha o Comandante e fala: "Odilar do Manhães, esse homem aqui pagou um comercial para mim e me deu dinheiro para voltar para São Paulo quando eu não tinha nada. Manhães vem na minha sala que eu quer falar com você. O que você quer? Você quer um avião? Você quer um carro? Você quer uma casa? O que você quer? Eu quero te dar um presente para você!"
Então o Manhães me apresentou ao Rolim e lhe disse que o único presente que queria era me colocar na TAM porque esse era meu sonho. E o Rolim rapidamente respondeu: "Está empregado!" E por uma questão de destino acabei voando cinco anos para um Italiano. E só em 1996 eu entrei na TAM.
Num certo dia, fui informado que o Comandante Rolim queria fazer a Ponte Aérea comigo. Fiquei pensando "que responsabilidade voar com o Presidente da Empresa!" No dia seguinte estava no Hangar aguardando o Rolim. Ele pergunta se está tudo pronto, eu confirmo que sim. E nós dois embarcamos no jatinho. O Comandante Rolim era muito acelerado, ele era 220W. Ele nunca estava tranquilo. Estava sempre agitado. Ele era muito engraçado.
Começamos a taxiar e chegamos a cabeceira da Pista 17 Direita de Congonhas eu percebi que os funcionários saíram todos na frente do Hangar e ficaram olhando a pista. Achei aquilo muito estranho, mas não comentei nada. E fiquei naqueles segundos penando porque será que eles estão ali todos olhando a nossa decolagem.
Nisso, iniciamos a correr na pista e seguir os procedimentos. Quando eu falei "Rotation", o Rolim puxou o manche como se fosse uma acrobacia mesmo, ele mesmo já recolheu o trem de pouso. Segurou o nariz em cima. O avião subindo como um foguete. E eu me segurando na cadeira e perguntando o que está acontecendo? O que ele está aprontando? Ele olhou para mim e perguntou se eu estava com medo? Medo não, mas avisa, né! Em seguida ele baixou o nariz do avião e acelerou rumo ao Rio de Janeiro.
Quando estávamos pousando, ele entrou quente, ele era muito acelerado. Eu fiquei me coçando. Ele percebeu e me perguntou o que foi? Lhe respondi que achava que ele estava um pouco velos para pousar no Santos Dumont, vindo um pouco quente. Então ele me disse: "Não fala nada. Só Olha. Eu não vou usar nem os freios!" Depois de parar ele ainda me disse: "Aviação é simples, quem complica é o piloto!" Acredito que essa foi uma dos melhores ensinamentos do Comandante, eu trago para mim essa mensagem sempre.
Outra vez estávamos chegando na Feira de Sorocaba do Décio Correa com avião. Nisso o Controlador Mol da torre perguntou quem estava a bordo. Respondi que estava o Comandante Rolim Amaro. O Controlador solicitou que fizéssemos um rasante que ele iria anunciar para todos na feira a presença do avião do Rolim. Naquela época tudo era muito simples, a aviação era menor, tinha menos gente, totalmente diferente de hoje, que tempo bom. Hoje seria impossível fazer isso. Tudo muito complicado.
Eu estava com o Comandante Cláudio Monteiro na cabine, um profissional espetacular. Me virei para trás e falei com o Rolim "Comandante vamos fazer um rasante na pista, dar uma puxada, tail drop, voltamos e pousamos. Então, ele disse que não e já levantou e disse: "Rasante deixa que eu mesmo faço! Eu quero fazer!"
Nas minhas histórias de aviação com o Rolim, eu acabei criando uma medição para os rasantes dele. Cientificante estabeleci em "meia vaca". Então, eu lhe disse: Comandante não vá passar muito perto do chão, a hélice desse avião passa muito perto do chão. Cuidado para não fazer uma inclinação acentuada." E ele me respondeu: "Mário você é muito complicado, pode deixar que eu sei o que tou fazendo e você complica demais!" O Rolim falava para as pessoas assim de mim: "Olha o Mário é meu freio de mão!"
Então ele venho no rasante na altura da "meia vaca" e ele viu aquele monte de gente e me disse: "Olha quanta gente". Vou fazer um Turn, ou seja, vou fazer uma volta de 360 graus com o avião. Só que acabou fazendo 180 graus e ficamos com o avião de cabeça para baixo. As pessoas que estavam assistindo tiveram a impressão que o avião fosse cair. Porque ficamos de ponta cabeça voando. Então, eu e o Rolim fomos desvirando o avião, mas quando conseguimos voltar ao normal, já estávamos na altura das casas. Passado o susto o Rolim me pergunta: "Mario você ficou com medo? Eu lhe respondi: "Dessa vez nós exageramos." Por fim ele mandou eu pousar.
Quando voltamos a São Paulo constatamos que o avião havia entortado inteiro. Enrugou as asas, entortou o charuto. O porta malas já não fechava bem. A porta principal também já não fechava mais bem. Foi chamado o pessoal da manutenção que informou que teria que mandar o avião para os Estados Unidos. O Rolim foi fazer uma inspeção e falo: "Por isso que esse avião é o único a pistão que o Presidente dos EUA pode voar. Então pode mandar para conserto!" E inacreditavelmente eu e o Claudio pilotamos o avião até os Estados Unidos para conserto.
Nós que somos pilotos não podemos complicar a aviação. Você sabe que a primeira vez que fui promovido a Comandante da Táxi Aéreo Marília em 1996, o próprio Rolim colocou as quatro faixas no meu ombro e me disse "Essas quatro faixas permaneçam nos seus ombros e nunca subam para a sua cabeça!" Eu tenho passado para diversos outros pilotos essa mensagem. O Rolim fez parte da minha vida, parte integrante da minha história.

E muita gente me conhece como piloto do Rolim. Isso para mim é um orgulho muito grande. Tudo que eu aprendi com o Rolim eu aplico na minha vida profissional, na posição que eu ocupo hoje. Eu coloco em prática muita coisa do que eu aprendi com ele. E essa história das faixas nunca irão sair da minha cabeça. Até hoje, quando eu promovo um piloto na empresa que eu trabalho, eu digo essas mesmas palavras: Não deixe que essas quatro faixas, subam para a sua cabeça, elas devem ficar no ombro. Para quem é piloto entende bem essas palavras.
Mais uma vez, somente temos a agradecer o Apresentador, Fotógrafo e Produtor de Vídeos Ricardo Beccari que autorizou a transcrição dos dois programas que realizou com o Comandante Mário realizada no Programa Porta de Hangar.






















